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'Se falou meu nome, é mentira', diz Witzel sobre delação de ex-secretário

Governador Wilson Witzel (foto) comentou possibilidade de acordo de delação premiada de Edmar Santos com a PGR - Tânia Rêgo/Agência Brasil
Governador Wilson Witzel (foto) comentou possibilidade de acordo de delação premiada de Edmar Santos com a PGR Imagem: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Do UOL, em São Paulo

15/07/2020 09h00Atualizada em 15/07/2020 10h48

O governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), continua negando qualquer participação no suposto esquema de fraudes na Secretaria de Saúde investigado pelo MP-RJ (Ministério Público do Rio de Janeiro). Diante da possibilidade de um acordo de delação premiada de Edmar Santos, ex-titular da pasta, Witzel reforçou que, caso seu nome apareça, Santos estará mentindo.

"Se ele falou no meu nome, é mentira. Não há a menor possibilidade de ele ter prova contra mim de ato ilícito", afirmou o governador em entrevista ao jornal Extra. "Estamos no início do processo criminal, e o que a Justiça tem feito tem que ser respeitado", acrescentou Witzel.

Ontem, o governador já tinha se manifestado no Twitter sobre o possível acordo de delação premiada de Santos com a PGR (Procuradoria-Geral da República). O ex-secretário está preso desde a semana passada, quando foi alvo da Operações Mercadores do Caos, que investiga a compra fraudulenta de respiradores por conta da pandemia do coronavírus.

"Reafirmo, com serenidade e firmeza, o meu compromisso com a população do Rio de Janeiro de governar com ética e transparência", escreveu Witzel na rede social após citar a delação de Santos.

Em entrevista ao Extra, o governador se disse "estarrecido" com o fato de a polícia ter apreendido R$ 8,5 milhões em dinheiro durante a operação deflagrada na última sexta-feira (10). Segundo o MP-RJ, a quantia foi entregue voluntariamente por um dos investigados no processo.

"Tem muita coisa mal explicada, como de onde veio o dinheiro. Estou tão estarrecido como qualquer outro cidadão de ver essa quantia desviada dos cofres públicos. Tomei providências com relação a todas as denúncias que apareceram", afirmou o governador.

Witzel alega transparência

Em nota divulgada hoje, a assessoria do governo fluminense disse que Witzel tem colaborado para elucidar os fatos que envolvem as fraudes investigadas pelo MP-RJ.

"Desde que surgiram as primeiras denúncias de possíveis irregularidades nas compras emergenciais e contratos firmados pela Secretaria de Estado de Saúde, (Witzel) determinou a imediata quebra de sigilo desses documentos e abriu sindicância para apurar o autor do pedido de sigilo", diz a nota.

O texto lembra a polêmica sobre o sigilo que foi imposto sobre contratações emergenciais ligadas ao combate à pandemia no início das investigações, em abril. Os documentos em questão tratavam de contratos sem licitação que somavam R$ 1 bilhão. À época, Witzel retirou o sigilo após a questão se tonar pública.

A nota do governo ainda ressalta que a administração do governador foi "pioneira" por adotar o SEI (Sistema Eletrônico de Informações), onde é possível checar os contratos e pagamentos da administração fluminense.

"Witzel tem ainda a convicção de que o papel da imprensa é mesmo o de fiscalizar e acompanhar tudo o que está sendo feito com recursos públicos", finaliza a nota.

Em 26 de maio, o Palácio das Laranjeiras, residência oficial do governo do Rio, chegou a ser alvo de mandado de busca e apreensão da operação Placebo, que investiga indícios de desvios de recursos públicos enquanto vigora o estado de emergência de saúde pública em decorrência do novo coronavírus.

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