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Witzel diz não temer delação de ex-secretário: 'Está desesperado'

"Jamais tratei com Edmar sobre qualquer assunto que não fosse governamental", rebateu Witzel - Paulo Carneiro/Agência O Dia/Estadão Conteúdo
"Jamais tratei com Edmar sobre qualquer assunto que não fosse governamental", rebateu Witzel Imagem: Paulo Carneiro/Agência O Dia/Estadão Conteúdo

Do UOL, em São Paulo

15/08/2020 21h50Atualizada em 15/08/2020 21h50

Alvo de um processo de impeachment na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro), o governador Wilson Witzel (PSC) disse hoje que não teme as acusações feitas por seu ex-secretário de Saúde, Edmar Santos. Segundo Witzel, Edmar se aproveitou da pandemia para liderar um esquema de fraudes e está "desesperado" porque corre o risco de perder cargos e diploma.

"O fato é que hoje o ex-secretário é um homem desesperado. Eu jamais tratei com o secretário Edmar sobre qualquer assunto que não fosse governamental. Eu não tenho qualquer receio da delação que ele venha a fazer. A população pode ficar tranquila da minha conduta ilibada", disse o governador em vídeo publicado nas redes sociais.

Witzel diz ter escolhido Edmar "em razão de seu currículo" — médico, professor da UERJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), oficial da Polícia Militar e diretor do Hospital Universitário Pedro Ernesto —.mas "infelizmente" o ex-secretário tem sido "uma enorme decepção para a população".

"Há indícios de que ele se aproveitou da pandemia para liderar um esquema de fraudes na saúde", disse o governador. "Edmar Santos é um homem desesperado, foi pego com a boca na botija, e agora quer distribuir sua responsabilidade com outras pessoas, absolutamente sem provas. No processo penal, isso não vai funcionar."

O ex-secretário foi preso em 10 de julho, sob acusação de integrar uma suposta organização criminosa que teria fraudado contratos de compra de respiradores para pacientes infectados pelo coronavírus. Depois de fechar delação com o MPF (Ministério Público Federal), Edmar foi solto no último dia 6, após decisão do STJ (Superior Tribunal de Justiça).

Em trechos de sua delação, o ex-secretário afirmou que o ex-subsecretário estadual de Agricultura, Ramon de Paula Neves, era ligado ao grupo do empresário Mário Peixoto — denunciado por chefiar suposto esquema de corrupção que causou dano de R$ 500 milhões na saúde do Rio — e "tinha acesso direto ao governador".

Segundo Edmar, Ramon esteve pessoalmente na Secretaria de Saúde do Rio, "utilizando-se da proximidade com Mariana Scardua [ex-subsecretária de gestão da Atenção à Saúde], pressionando para a contratação de empresas de Mário Peixoto, queixando-se do controle da pasta pelo grupo do pastor Everaldo".

Os relatos foram colhidos na última quarta (12) e enviados à subprocuradora-geral da República, Lindôra Maria Araújo. No mesmo dia, ela encaminhou as novas informações ao ministro Benedito Gonçalves, do STJ.

Gonçalves é relator da Operação Placebo, que em maio fez buscas e apreensões no Palácio das Laranjeiras, residência oficial do governador, e no escritório de advocacia onde atua a esposa de Witzel. Também foram cumpridas ordens judiciais em um imóvel no Grajaú, na zona norte do Rio, que seria a residência pessoal do governador.

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