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Política

Governador interino do Rio canta em igreja; padre questiona perda da ética

Eduardo Militão

Do UOL, em Brasília

30/08/2020 14h42Atualizada em 30/08/2020 17h22

O governador interino do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PSC), cantou em missa da igreja católica neste domingo (30), na capital.

Ele substituiu Wilson Witzel (PSC) no cargo, que foi afastado do cargo pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) e denunciado por corrupção e lavagem de dinheiro. O STJ ainda autorizou a Polícia Federal a prender o presidente do PSC, Everaldo Pereira.

Castro também é investigado no caso e foi alvo de mandado de busca e apreensão. Ele atua como cantor na Igreja Santa Rosa de Lima, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro.

Na missa, o pároco local, Marcelo Araújo, questionou o acúmulo de bens materiais e a perda da "dignidade" e da "ética pessoal".

"Muitas vezes cedemos à tentação do materialismo, do dinheiro, do poder, das riquezas, do orgulho, individualismo", disse o padre, mencionando palavras de Jesus no livro de Mateus, na Bíblia.

"Jesus continua: 'O que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro, mas perder a sua vida?'. O que adianta ao homem ganhar tudo neste mundo, mas perder a vida?, e não ir ao encontro de Deus?"

Perder a vida é perder a dignidade, é perder a boa fama, é perder a sua imagem, é perder os seus valores, a sua ética pessoal"
Marcelo Araújo, pároco da igreja Santa Rosa de Lima

"Quando a gente pensa no que é certo ou errado, nós olhamos para Jesus Cristo. A ética de Jesus nos compromete."

Araújo concluiu afirmando que a prática dos ensinos de Jesus tem que ocorrer no dia a dia das pessoas, e não apenas dentro das igrejas. "Eu não posso ser cristão somente na igreja e na família. Preciso ser cristão na vida acadêmica, profissional, em qualquer lugar."

Witzel nega ter recebido propina

Witzel nega as acusações de recebimento de propina, que, segundo o Ministério Público, foi paga pelos empresários Mário Peixoto e Gothardo Lopes. O governador afastado diz que seu afastamento pode ter motivações política e criticou o ministro do STJ Benedito Gonçalves.

Segundo a Procuradoria Geral da República, Castro fazia parte do "esquema criminoso" de Witzel. Os procuradores se valem de depoimento do ex-secretário de Saúde Edmar Santos, que foi preso e, depois, fechou acordo de colaboração premiada.

"A narrativa constante do anexo 31 da colaboração premiada de Edmar Santos confirma o protagonismo do atual presidente do Poder Legislativo fluminense, o qual, em conjunto com o atual governador do Estado, Wilson José Witzel, e do vice-governador Cláudio Castro organizou esquema criminoso que contou com a participação do próprio Edmar, Secretário Estadual de Saúde na época", diz um trecho da investigação.

O advogado de Castro disse ao UOL neste domingo (30) que não poderia comentar as afirmações da Procuradoria porque não conseguiu cópia dos autos. "Eu não consegui a [cópia da ordem de] busca e apreensão", contou Carlo Luchione.

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