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Bolsonaro usa centrão para minimizar PIB ruim e emplacar agenda positiva

Presidente Bolsonaro reunido com ministros e líderes do centrão para anunciar prorrogação do auxílio emergencial - Marcos Corrêa/PR
Presidente Bolsonaro reunido com ministros e líderes do centrão para anunciar prorrogação do auxílio emergencial Imagem: Marcos Corrêa/PR

Guilherme Mazieiro e Luciana Amaral

Do UOL, em Brasília

01/09/2020 20h55Atualizada em 01/09/2020 20h55

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) convocou hoje os novos aliados do centrão para tentar emplacar uma agenda positiva e minimizar o resultado negativo do PIB (Produto Interno Bruto), que teve queda de 9,7% no segundo trimestre.

Parlamentares que participaram de reunião com o presidente consideraram o clima positivo e se deram por satisfeitos de participarem do anúncio da prorrogação do auxílio de R$ 300 mensais até dezembro.

Esta foi a primeira reunião do presidente com os líderes que tentam formar uma base de apoio no Congresso. No encontro, Paulo Guedes (Economia) destacou haver dificuldades econômicas do país, mas disse que há expectativa de retomada do crescimento com reformas fiscais.

O auxílio emergencial é apontado como um dos fatores que aumentaram a popularidade de Bolsonaro. Ele obteve a melhor avaliação do seu mandato — segundo pesquisa do Datafolha divulgada em 13 de agosto, 37% dos brasileiros consideram seu governo ótimo ou bom.

O líder do governo no Congresso, Eduardo Gomes (MDB-TO), disse que, com o anúncio da prorrogação, o governo emplacou uma agenda positiva.

"Matematicamente ajuda tudo [o anúncio ser feito hoje]. Significa que governo conversa com a base, tem tamanho e boa parte das reformas pode avançar", disse Gomes.

Ele afirmou que o ato com vários parlamentares ajuda a mostrar força do governo junto ao Congresso. "É uma agenda positiva, até porque o PIB era previsível", disse Gomes em referência a Guedes.

A oposição reclama que o valor de R$ 300 (metade do que foi pago em agosto) é insuficiente e se articula para tentar aumentar o benefício. Mas o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse que vai trabalhar para manter os R$ 300.

Centrão surfa a onda

Líderes do centrão elogiaram a iniciativa do governo em convocá-los para discutir o assunto antes de um anúncio oficial. Principalmente porque puderam aparecer ao lado do presidente em coletiva e, assim, surfar na popularidade causada pelo auxílio emergencial em meio à pandemia do coronavírus e às vesperas do processo das eleições municipais deste ano.

Em compensação, a expectativa do Planalto é que a base aprove matérias de interesse do governo no Congresso e barre questões incômodas, como pedidos de impeachment. Para tanto, o centrão também recebeu cargos na administração pública.

Integrantes do centrão não chegaram a discursar no anúncio da prorrogação do auxílio emergencial, mas dizem que tiveram espaço para opinar na reunião, segundo relatos à reportagem. Antes, reclamavam que as questões chegavam sem explicação ou acordo político no Legislativo.

O líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR), afirmou que essa mudança no procedimento da articulação política será permanente. "Tem que abrir um espaço. Foi bem hoje", afirmou.

Sob reserva, um líder do centrão avaliou que, "pela primeira vez, o governo funcionou politicamente" e espera que a reunião no Alvorada seja o ponto de partida para um bom relacionamento do governo com o centrão.

Para o líder, Bolsonaro conseguirá aprovar a reforma administrativa ainda neste ano na Casa se souber segurar a nova base aliada e melhorar a relação com os presidentes da Câmara e do Senado, Rodrigo Maia (DEM-RJ) e Davi Alcolumbre (DEM-AP).

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