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Câmara vota na quinta abertura de processo de impeachment contra Crivella

O prefeito do Rio, Marcelo Crivella (Republicanos) - Saulo Angelo/Futura Press/Estadão Conteúdo
O prefeito do Rio, Marcelo Crivella (Republicanos) Imagem: Saulo Angelo/Futura Press/Estadão Conteúdo

Igor Mello e Gabriel Sabóia

Do UOL, no Rio

01/09/2020 18h17

A Câmara dos Vereadores do Rio de Janeiro vai votar nesta quinta-feira (3) a abertura de um processo de impeachment contra o prefeito Marcelo Crivella (Republicanos) pelo uso de servidores comissionados para impedir o trabalho de jornalistas em unidades de saúde do Rio. Segundo a TV Globo, a ação é coordenada através de grupos em aplicativos de mensagens —o maior deles é batizado de "Guardiões do Crivella".

O presidente da Câmara dos Vereadores, Jorge Felippe (DEM-RJ), decidiu levar o pedido ao plenário, após pareceres favoráveis da Procuradoria e da Secretaria Geral da Mesa Diretora. O Legislativo carioca recebeu dois pedidos de cassação de Crivella por conta da prática: um assinado pela deputada estadual Renata Souza (PSOL-RJ), pré-candidata à Prefeitura do Rio, e outro de autoria do vereador Átila A. Nunes (DEM-RJ).

A decisão do Jorge Felippe será publicada amanhã (2) e, por isso, tem que ir a plenário na sessão seguinte, que é quinta-feira. A sessão, que começa às 15h, está funcionando em esquema semipresencial (parte dos vereadores em home office e parte in loco). O pedido de impeachment que vai a votação é o da deputada Renata Souza.

Para admissibilidade da denúncia na sessão de quinta-feira, é necessária a votação de maioria simples dos presentes —o quórum da sessão é de 26 parlamentares.

Nesta segunda-feira (31), a TV Globo revelou que Marcos Luciano, um dos mais próximos assessores do prefeito, organizava uma rede de funcionários comissionados que batiam ponto na porta de unidades de saúde com o objetivo de hostilizar jornalistas que fazem reportagens sobre problemas na saúde e inibir críticas de pacientes.

Os envolvidos prestam contas de suas atividades em três grupos em aplicativos de mensagens. O próprio prefeito é um dos administradores do grupo Guardiões de Crivella, e, segundo o UOL apurou, já adicionou participantes.

Investigações em outras frentes

Além do possível processo de impeachment, Crivella enfrenta investigações em outras frentes. Nesta segunda, o MP-RJ (Ministério Público do Rio) decidiu abrir investigação no âmbito criminal para apurar a prática de uma série de crimes.

Após uma decisão favorável do plantão judiciário, a Polícia Civil também iniciou uma apuração sobre o caso e realizou uma operação nesta terça.

Homens da Draco (Delegacia de Repressão a Crimes Organizados) cumpriram mandados de busca e apreensão contra integrantes do Guardiões de Crivella. Um dos alvos foi Marcos Luciano, que sofreu buscas em sua casa. Os policiais apreenderam celulares, anotações, documentos e R$ 10 mil em espécie em seu apartamento, em Olaria, na zona norte do Rio.

A Procuradoria Regional Eleitoral pediu na tarde de hoje que promotores eleitorais do MP-RJ avaliem se Crivella cometeu ilícitos eleitorais como abuso de poder político e conduta vedada.

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