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Política

'QG da Propina': Quem são os irmãos Alves, pivôs de ação que mira Crivella

Herculano Barreto Filho

Do UOL, no Rio

10/09/2020 13h11Atualizada em 13/09/2020 16h54

Resumo da notícia

  • Ex-presidente da Riotur, Marcelo foi exonerado em março
  • Rafael, irmão dele, é apontado como operador financeiro de suposto esquema
  • Ele foi um dos responsáveis por arrecadar verba em campanhas de Crivella
  • Ligado ao mundo do samba, Rafael foi casado com sobrinha de contraventor

Os irmãos Alves estão no epicentro de uma operação da Polícia Civil e MP-RJ (Ministério Público do Rio) para apurar suspeitas de corrupção na Prefeitura do Rio. Na ação de hoje, que tem como alvos Marcelo Crivella (Republicanos-RJ) e membros do primeiro escalão da administração municipal, os agentes apreenderam o celular do prefeito.

Exonerado no fim de março do cargo de diretor-presidente da Riotur após ser citado como um dos pivôs da Operação Hades, que deu início às investigações, Marcelo Alves figurou entre os 22 alvos da ação de hoje —que incluem endereços de agentes públicos e empresários. Rafael Alves, irmão dele, é apontado como o operador financeiro do chamado "QG da Propina" —suposto esquema montado para agilizar pagamentos de dívidas em atraso junto ao poder público.

A Riotur é o órgão responsável pela organização do Carnaval e do Réveillon do Rio. No comando da Riotur até ser exonerado no fim de março, Marcelo é conhecido como uma espécie de "figurinha carimbada" no mercado de eventos e é especializado em marketing promocional.

Marcelo Alves, ex-presidente da Riotur, com Marcelo Crivella - Reprodução/Facebook - Reprodução/Facebook
Marcelo Alves, ex-presidente da Riotur, e Marcelo Crivella
Imagem: Reprodução/Facebook

O empresário ficou conhecido por organizar o evento que envolveu a vinda ao Rio do tenista Novak Djokovic, então nº 1 do mundo, para participar de um desafio contra o brasileiro Gustavo Kuerten, o Guga, em 2012, no Maracanã. Ele também participou da organização do evento Rio Verão Festival 2014, em parceria com a Rede Record, e da corrida Disney Magic Run no Rio.

Irmão dele, o empresário Rafael Alves, suspeito de ser o operador financeiro do "QG da Propina", nunca fez parte oficialmente dos quadros da prefeitura. Ele foi um dos responsáveis por arrecadar recursos em meio às campanhas eleitorais de Crivella para as eleições ao cargo de governador do Rio de 2014 e quando o político acabou sendo eleito prefeito, em 2016.

Filiado ao Republicanos, mesmo partido do prefeito, Rafael chegou a ser pré-candidato à Prefeitura de Angra dos Reis em 2016. Conhecido no meio do Carnaval, o empresário já integrou a direção de escolas tradicionais no Rio, como Salgueiro, Viradouro e Império Serrano. E teve a atribuição de minimizar a rejeição de Crivella no mundo do samba, segundo fontes ouvidas pelo UOL.

O advogado João Francisco Neto, defensor do empresário Rafael Alves, afirma que as acusações são baseadas apenas no depoimento de um delator e que o Ministério Público não se preocupou em ouvir os esclarecimentos de seu cliente.

"As precipitadas acusações se amparam em depoimento de delator, que não tem compromisso com a verdade. As conversas em questão são todas privadas e ocorreram há mais de dois anos. O Ministério Público interpreta tais mensagens de forma malévola e enviesada, sem se preocupar com os esclarecimentos do Rafael, que nunca foi ouvido, embora venha requerendo esta oportunidade há mais de 9 meses", afirma o advogado.

A reportagem não conseguiu localizar a defesa de Marcelo Alves.

O que diz Crivella sobre a operação

Pouco depois das 17h, Crivella se manifestou por meio de nota divulgada por sua assessoria de imprensa.

O prefeito citou as eleições e classificou a ação como "estranha". Segundo ele, na semana passada, seu advogado colocou à disposição do MP seus sigilos bancário, telefônico e fiscal após denúncias publicadas na imprensa.

"A ação durou cerca de uma hora e nada foi encontrado. Considero essa ação injustificada, já que sequer existe denúncia formal e eu não sou réu nesta ou em qualquer outra ação", disse o prefeito.

Crivella afirmou que a investigação tem como base reportagem do jornal O Globo sobre pagamento devido pela administração municipal à empresa Locanty. "Vocês podem conferir no site de transparência da Prefeitura que nunca durante o meu governo foi feito qualquer pagamento a essa empresa", disse.

Crivella voltou a criticar O Globo e a TV Globo.

Homem de confiança de Crivella e amigo de bicheiro

As investigações se baseiam na delação premiada do doleiro Sérgio Mizrahy, preso na Operação Câmbio, Desligo. Ele apontou Rafael Alves como chefe do esquema criminoso na prefeitura e um dos homens de confiança de Crivella.

Rafael também era amigo do bicheiro Alcebíades Paes Garcia, o Bidi, morto a tiros em fevereiro, e mantém relações com a família. Rafael foi casado Shanna Harrouche Garcia Lopes, sobrinha do bicheiro, vítima de um atentado em outubro de 2019 na zona oeste do Rio.

Em comunicado, o MP-RJ diz que "a operação decorre de inquérito policial instaurado para investigar possível organização criminosa e esquema de corrupção no âmbito da administração municipal carioca".

Os mandados de hoje estão sendo cumpridos nas cidades do Rio de Janeiro (nos bairros da Barra da Tijuca, Jacarepaguá, Tijuca e Flamengo), de Petrópolis e de Nilópolis.

Crivella é candidato à reeleição e, na semana passada, escapou da abertura de um processo de impeachment na Câmara Municipal. Apesar disso, ele será alvo de uma CPI que irá apurar o suposto uso de servidores municipais pagos para atrapalhar reportagens que denunciassem a situação crítica da saúde municipal. Organizados em grupos de Whatsapp, o maior desses grupos tinha o nome de "Guardiões do Crivella". O prefeito nega a prática.

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