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Filho assumirá vaga caso senador pego com dinheiro na cueca seja afastado

O senador Chico Rodrigues e o filho, Pedro Arthur Ferreira Rodrigues - Reprodução/Facebook
O senador Chico Rodrigues e o filho, Pedro Arthur Ferreira Rodrigues Imagem: Reprodução/Facebook

Do UOL, em São Paulo

16/10/2020 10h50Atualizada em 16/10/2020 11h15

O ministro Luís Roberto Barroso, do STF (Supremo Tribunal Federal), determinou ontem o afastamento do senador Chico Rodrigues (DEM-RR), que escondeu dinheiro na cueca, de suas funções no Congresso por 90 dias. Caso a decisão seja referendada pelo Senado, quem assume é o filho dele, Pedro Arthur Ferreira Rodrigues (DEM-RR), suplente da vaga.

Pedro Arthur é administrador, tem 41 anos, e acompanhou o pai frequentemente em reuniões com autoridades e eventos em 2019.

Chico Rodrigues foi flagrado com uma grande quantia de dinheiro vivo na cueca em sua casa em Boa Vista, quando a Polícia Federal cumpria um mandado de busca e apreensão por suspeita de desvios de recursos públicos de emendas parlamentares destinadas ao combate à pandemia de covid-19.

O senador era vice-líder do governo no Senado, mas foi exonerado do cargo por causa da repercussão do caso. Ele diz que vai provar sua inocência.

Maços de dinheiros "em suas vestes íntimas"

Na decisão de ontem, o ministro Barroso cita o relatório elaborado pela Polícia Federal sobre a operação. O texto indica que a apreensão do dinheiro aconteceu em mais um de momento, já que o senador tentou esconder parte da quantia mesmo após ter sido flagrado inicialmente com R$ 15 mil, "próximo às suas nádegas". Segundo o relatório, depois, ainda foram encontrados mais R$ 18.150, totalizando mais de R$ 33 mil.

A PF já havia encontrado no cofre da casa quantias que somaram R$ 10 mil e US$ 6 mil (cerca de R$ 33,6 mil, na cotação de hoje). No total, foram apreendidos aproximadamente R$ 77 mil, segundo a descrição da PF enviada ao ministro Barroso. A autoridade policial relatou que "as cédulas de dinheiro encontradas no corpo do senador não tiveram sua origem lícita comprovada".

Ainda de acordo com a decisão judicial, a PF pediu a prisão preventiva de Chico Rodrigues, mas a PGR (Procuradoria-Geral da República) manifestou-se contrariamente ao pedido, alegando não ser possível saber, por ora, a origem do dinheiro.

Barroso, que já havia autorizado a operação da PF realizada ontem, justificou em sua decisão que o afastamento de Rodrigues é necessário pela "gravidade concreta dos delitos investigados" e também para evitar que o senador se utilize de suas funções parlamentares para atrapalhar a investigação.

Volume retangular

Em descrição feita pela PF e que embasou a decisão de Barroso, os agentes que participaram da apreensão do dinheiro disseram que o senador foi flagrado com o dinheiro porque apresentava "um grande volume, em formato retangular, na parte traseira das vestes".

Segundo relato do delegado Wedson Cajé Lopes, que participou da ação, durante a busca no cofre do quarto do filho do senador, Rodrigues pediu para ir ao banheiro. Wedson então acompanhou Rodrigues e percebeu o volume na roupa do senador, que vestia um "short azul (tipo pijama) e uma camisa amarela".

"Considerando o volume e seu formato, o Delegado Wedson suspeitou estar o Senador escondendo valores ou mesmo algum aparelho celular", diz o texto.

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