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2022: Doria descarta tentar reeleição e defende aliança com centro-esquerda

João Doria (PSDB) disse que PSDB não precisa "necessariamente" liderar frente nas eleições de 2022 - ANTONIO MOLINA/ZIMEL PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO
João Doria (PSDB) disse que PSDB não precisa "necessariamente" liderar frente nas eleições de 2022 Imagem: ANTONIO MOLINA/ZIMEL PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

Do UOL, em São Paulo

23/11/2020 08h44

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), disse que não tentará a reeleição ao cargo nas eleições de 2022. Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, o tucano ainda projetou uma aliança entre o que considera centro-esquerda e centro-direita para a disputa presidencial.

Doria disse que a intenção de não disputar a reeleição não está relacionada com uma possível candidatura ao Palácio do Planalto. O tucano é apontado como potencial postulante ao cargo hoje ocupado por Jair Bolsonaro (sem partido).

"Não se trata de ser ou não candidato a presidente, mas de manter minhas convicções. Sou contra a reeleição. Sempre defendi mandato único de cinco anos. Não critico nem condeno os que disputam reeleição, como Bruno Covas (à prefeitura de São Paulo). Mas eu, por ser contra a reeleição, vou manter a minha coerência. Não vou disputar a reeleição", disse.

Para o governador, é importante discutir uma aliança ampla para as eleições de 2022. Sem citar nomes ou partidos, João Doria afirmou que, em sua avaliação, esta frente só não comportaria o que considera "pensamento extremista".

"A frente não deve ser contra Bolsonaro, mas a favor do Brasil. A frente deve reunir o maior número possível de pessoas e pensamentos que estejam dispostos a proteger o Brasil e a população. (Essa frente) Comporta o pensamento liberal de centro, que é o que eu pratico, mas comporta também centro-direita, centro-esquerda, aqueles que têm um pensamento mais à esquerda e à direita", disse.

"Só não caberá o pensamento dos extremistas, até porque os extremistas não querem compartilhar, discutir. Eles querem impor situações ao País, tanto na extrema-esquerda, quanto na extrema-direita. Destes extremos nós temos que ficar longe", completou.

João Doria não falou especificamente sobre a sua participação nesta possível candidatura, mas disse que o PSDB não precisa necessariamente liderar a frente.

"O PSDB deve participar desse movimento, mas não é preciso liderar. Esse é um movimento de compartilhamento, não de exclusão ou de escolha, um lidera e os outros são liderados. Todos devem liderar", disse.

O tucano evitou citar nomes ao longo da entrevista. Questionado diretamente sobre Marina Silva (Rede) e Ciro Gomes (PDT), João Doria disse que não "se deve excluir ninguém" que tenha um sentimento que considera o ideal para integrar esta frente. "Sentimento múltiplo, compartilhador e dedicado ao País, sem interesses pessoais se sobrepondo ao interesse do País".

Já quando questionado sobre o ex-juiz Sergio Moro, que integrou o governo Bolsonaro como ministro da Justiça e Segurança Pública, o governador foi mais receptivo. "Ele deve fazer parte dessa frente. Tem história, biografia e posicionamento. Nunca declarou que era candidato. Sempre teve altivez e grandeza para defender o País, independentemente dos interesses pessoais", disse.

Veja a entrevista na íntegra.

"Equívoco" com Bolsonaro

Depois de apoiar Jair Bolsonaro no segundo turno das eleições de 2018, João Doria virou um adversário político do atual presidente. Sem falar expressamente em arrependimento, o tucano disse que Bolsonaro foi um erro para o Brasil e não cumpriu suas promessas.

"A eleição do Bolsonaro foi um grande erro para o Brasil. Eu não mantenho meu compromisso diante de um equívoco tão grande. O Bolsonaro prometeu um país liberal, economia globalizada, combate à corrupção. E não fez", disse.

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