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FHC diz que cabe a líderes lutar contra racismo após morte de homem no RS

Arquivo - O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso: "Racismo e o preconceito sobre negros é forte em nossa cultura" - Sebastián Vivallo Oñate/Agencia Makro/Getty Images
Arquivo - O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso: 'Racismo e o preconceito sobre negros é forte em nossa cultura' Imagem: Sebastián Vivallo Oñate/Agencia Makro/Getty Images

Do UOL, em São Paulo

21/11/2020 14h49

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) disse que cabe a todas as pessoas lutar contra o racismo e o preconceito, especialmente aos líderes. A declaração, publicada no Twitter, vem na esteira do espancamento seguido de morte de João Alberto Silveira Freitas, um homem negro de 40 anos, no supermercado Carrefour, em Porto Alegre.

"Junto minha voz a dos que protestam contra a violência que levou à morte um homem, brasileiro e negro. Sei que o racismo e o preconceito sobre negros é forte em nossa cultura. Cabe a todos lutar contra eles. Especialmente aos líderes e aos que conhecem nossa realidade. Basta!", escreveu o tucano.

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) aproveitou a reunião dos líderes do G20 para tratar de protestos por discriminação racial no Brasil. No entanto, ele não avaliou o motivo dos protestos, a morte de Freitas, e também não prestou solidariedade à família da vítima. Ele disse que querem "colocar a divisão entre raças" no Brasil.

A decisão do presidente de usar a cúpula para reclamar dos protestos gerou um amplo constrangimento e choque entre algumas delegações estrangeiras e até indignação entre as agências da ONU (Organização das Nações Unidas), informou o colunista do UOL Jamil Chade.

Ontem, o vice-presidente Hamilton Mourão (PRTB) disse que não existe racismo no Brasil ao ser questionado sobre o assunto. "Digo com toda a tranquilidade: não existe racismo no Brasil. É uma coisa que querem importar, mas aqui não existe", declarou.

Entenda o caso

João Alberto Silveira Freitas teria discutido com a caixa do estabelecimento e foi conduzido por seguranças da loja até o estacionamento, no andar inferior, como mostram as imagens obtidas pelo UOL. Um deles, policial militar temporário — funcionário contratado pela Brigada Militar por tempo determinado, para atividades administrativas —-, acompanhou o deslocamento, e colaborou no espancamento de Freitas.

Durante o percurso, acompanhado por uma funcionária do Carrefour, Freitas teria desferido um soco contra o PM, segundo afirmou a trabalhadora, em depoimento à polícia. A delegada responsável pelo caso, Roberta Bertoldo, já analisou as imagens completas e afirma que há, de fato, a agressão do cliente contra um dos homens.

"Ele dá sim o soco. E foi por causa desse soco que os seguranças agridem ele. Dá para ver quem ele atinge. Me parece que foi o PM (que foi atingido)", declarou a delegada. O trecho não foi repassado à imprensa.

"A partir disso começou o tumulto, e os dois agrediram ele na tentativa de contê-lo. Eles (os seguranças) chegaram a subir em cima do corpo dele, colocaram perna no pescoço ou no tórax", disse o delegado plantonista Leandro Bodoia.

Os agressores foram presos, suspeitos de homicídio doloso. A cena vem sendo comparada nas redes sociais à que aconteceu com George Floyd, que morreu sufocado por policiais nos Estados Unidos e gerou protestos em algumas capitais do país.

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