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Política

Zero voto, bronca no filho: 4 vezes em que Bolsonaro quis chefiar a Câmara

Carlos Eduardo Cherem

Colaboração para o UOL, em Belo Horizonte

31/01/2021 04h00

A eleição para presidente da Câmara dos Deputados, nesta segunda-feira (1º), marca um embate entre o candidato de Rodrigo Maia (DEM-RJ), atual deputado no cargo, e o de Jair Bolsonaro (sem partido).

Baleia Rossi (MDB-SP) e Arthur Lira (PP-AL), respectivamente, são os favoritos numa disputa que ainda tem Alexandre Frota (PSDB-SP), André Janones (Avante-MG), Fábio Ramalho (MDB-MG) e Marcel van Hattem (Novo-RS). A decisão pode acontecer em um provável segundo turno.

Não é a primeira vez que Bolsonaro enfrenta Maia. Em 2017, se lançou contra o deputado do DEM, perdendo por ampla margem.

Ao todo, foram quatro vezes em que Bolsonaro se registrou como candidato à chefia da Casa. Sempre ficou no último lugar entre os concorrentes. Somente em 2010, conseguiu ultrapassar o número de votos em branco e nulos.

O UOL entrou em contato com a assessoria de imprensa do Palácio do Planalto, que não comentou o assunto até o momento.

Eduardo - GABRIELA BILÓ/ESTADÃO CONTEÚDO - GABRIELA BILÓ/ESTADÃO CONTEÚDO
Deputado federal Eduardo Bolsonaro sussura no ouvido do pai em sessão na Câmara
Imagem: GABRIELA BILÓ/ESTADÃO CONTEÚDO

Baixo clero derrota candidato de Lula

Na sua estreia na disputa, em 2005, Bolsonaro (então no PFL) cumpria seu terceiro mandato. Um racha no PT fez com que o Parlamento elegesse Severino Cavalcanti (PP-PE), expressão máxima do chamado "baixo clero" da Casa. O grupo é formado por políticos de pouca expressão e muito fisiologismo, que negociam votos por cargos e verbas de emendas.

Foi uma das maiores derrotas políticas do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Congresso Nacional, durante seus oito anos de mandato.

O candidato governista Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP) teve 207 votos, Severino Cavalcanti fez 124 votos, o candidato dissidente do PT Virgilio Guimarães (PT-MG) teve 117 votos, José Carlos Aleluia (PFL-BA) contou com 53 votos. Bolsonaro teve só dois votos. Três votaram em branco e quatro anularam.

A disputa foi para o segundo turno, quando Greenhalgh perdeu votos, fazendo 195. Severino Cavalcanti foi eleito com 300 votos dos 498 deputados.

Nem Bolsonaro votou nele mesmo

Sete meses depois, Cavalcanti foi acusado de corrupção, ameaçado de cassação e renunciou ao mandato.

O candidato do governo foi Aldo Rebelo (PCdoB-SP). A oposição lançou José Thomaz Nonô (PFL-AL). Eles ficaram empatados, com 182 votos. Bolsonaro registrou-se na disputa, mas não teve nenhum voto, nem mesmo o dele.

No segundo turno, Rebelo, com 258 votos, vence Nonô, que teve 243 votos.

Bolsonaro 2005 - Sérgio Lima - 28.set.2005/Folhapress - Sérgio Lima - 28.set.2005/Folhapress
Em setembro de 2005, foi derrotado por Aldo Rebelo, mas nem Bolsonaro votou em si mesmo
Imagem: Sérgio Lima - 28.set.2005/Folhapress

Bolsonaro supera votos nulos e em branco

Marco Maia (PT-RS) ocupava a Presidência da Câmara desde meados de 2010, quando substituiu Michel Temer (PMDB-SP), que saiu da Casa para assumir a vice-presidência da República, no mandato de Dilma Rousseff (PT).

No início de 2011, seu nome era o único colocado. Alguns dias antes da eleição, porém, se lançaram Sandro Mabel (PR-GO), como candidato independente, Bolsonaro (PP-RJ) e Chico Alencar (PSOL-RJ).

Marco Maia foi eleito com 375 dos 513 votos da casa. Mabel recebeu 106 votos, Alencar teve 16 votos e Bolsonaro, nove, seu recorde. Foram três votos em branco e três nulos.

Jair Bolsonaro não teve voto do filho! Troca de mensagem entre os deputados Jair Bolsonaro e seu filho Eduardo...

Publicado por Lula Marques em Quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Bronca no filho Eduardo

Em 2017, Bolsonaro (então no PSC) teve quatro votos. Poderia ter tido mais um, mas seu filho Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) estava em viagem ao exterior e não participou da eleição. Recebeu uma bronca, flagrada pelo fotógrafo Lula Marques.

Em mensagem pelo celular, Bolsonaro diz: "Papel de filho da puta que você está fazendo comigo. Tens moral para falar do Renan [Jair Renan,outro filho de Bolsonaro, meio-irmão de Eduardo]. Irresponsável. Mais ainda, compre merdas por ai. Não vou te visitar na Papuda. Se a imprensa te descobrir ai, e o que está fazendo, vão comer seu fígado e o meu. Retorne imediatamente".

Eduardo responde: "Quer me dar esporro tudo bem. Vacilo foi meu. Achei que a eleição só fosse semana que vem. Me comparar com o merda do seu filho [Jair Renan], calma lá".

Após a divulgação da conversa, Bolsonaro e Eduardo divulgam um vídeo juntos criticando a imprensa e falando em invasão de privacidade.

Eles justificam a citação à Papuda, prisão em Brasília, dizendo que Eduardo estava na Austrália e tinha prometido comprar um fuzil para o pai.

Rodrigo Maia (DEM-RJ) teve 293 votos, seguido por Jovair Arantes (PTB-GO), com 105, André Figueiredo (PDT-CE), com 59, Júlio Delgado (PSB-MG), com 28, e Luiza Erundina (PSOL-SP), com dez.

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