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Delegado que intimou Felipe Neto nega favorecimento político e intimidação

O youtuber e influenciador Felipe Neto - reprodução/Instagram
O youtuber e influenciador Felipe Neto Imagem: reprodução/Instagram

Gabriel Sabóia

Do UOL, no Rio

16/03/2021 13h43

Responsável pela intimação do youtuber e influenciador digital Felipe Neto por suposto crime previsto na Lei de Segurança Nacional, o delegado titular da DRCI (Delegacia de Repressão aos Crimes de Internet), Pablo Dacosta Sartori, nega que tenha havido tentativa de intimidação e favorecimento político com o seu ato.

Felipe foi intimado depois de ter se referido ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido) como "genocida" em uma postagem em suas redes sociais. A publicação aconteceu em um contexto de críticas à gestão federal ante o agravamento da pandemia do novo coronavírus. A Polícia Civil ouvirá influenciador na quinta-feira (18) —Felipe Neto não informou se irá à DRCI ou se vai enviar uma representação através dos seus advogados.

Questionado quanto ao porquê de apenas o influenciador ter sido intimado pelo uso da palavra "genocida", enquanto milhares de internautas fazem diariamente publicações similares, o delegado afirmou que é necessário um registro feito pela vítima para que o caso seja apurado. O registro, nesse caso, foi feito pelo vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos), filho do presidente.

"Para qualquer caso em que uma pessoa ofende a outra, é feito o registro. A vítima precisa demonstrar interesse para ver aquilo apurado, ainda que através de outra pessoa devidamente autorizada. Eu não sou proativo, essas demandas nos chegam e fazemos um registro. Não entendo essa repercussão. O juiz é que vai entender se arquiva esse caso ou não", afirmou.

Em relação à citação na intimação de suposto crime contra a segurança nacional, Sartori também se esquiva dizendo que a questão cabe ao Judiciário. De acordo com ele, a tipificação do crime que consta na intimação entregue a Felipe não será necessariamente a tipificação final.

"Ofender o Bolsonaro pode ter duas conotações. Ou um crime contra a honra previsto no Código Penal ou um crime contra a Lei de Segurança Nacional. Foi narrado um fato criminoso, que será apurado. Isso não é um crime grave, de pena alta. Então, o tratamento é mais brando, é uma investigação sem quebra de sigilo", argumenta.

Nas redes sociais, o fato de Felipe ter sido intimado repercutiu como uma espécie de "intimidação" aos opositores de Bolsonaro. O próprio influencer usou esse argumento em pronunciamento feito na noite de ontem (15). O delegado nega favorecimento à família do presidente.

"O Tarcísio Motta [vereador do PSOL-RJ] e o Lindbergh Farias [vereador do PT-RJ] já vieram a essa delegacia e fizeram suas queixas. Não há a opção de não fazê-lo. Um policial não pode usar o seu caso de forma política. Sou obrigado a atuar, independente do caso", completa ele, que também nega intimidação pelo fato de Felipe ter sido intimado pessoalmente pelos policiais. "É a única forma possível", conclui.

Atos em favor dos Bolsonaro

Apesar de negar favorecimento político, Sartori tem um histórico de atos favoráveis à família Bolsonaro.

Em dezembro, ele foi responsável pela intimação dos apresentadores do Jornal Nacional, William Bonner e Renata Vasconcellos, por suposto crime de desobediência a uma decisão judicial sobre a investigação das "rachadinhas" no gabinete da Alerj (Assembleia Legislativa do RJ) de Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ).

Na ocasião, a defesa de Flávio entrou com notícia-crime junto à DRCI, que abriu o inquérito.

No mesmo mês, um artista de Niterói, na região metropolitana do Rio, foi indiciado por Sartori em razão da postagem de uma foto de uma drag queen com a cabeça do presidente Jair Bolsonaro. O registro da notícia-crime, nessa oportunidade, também foi feito por Carlos Bolsonaro.

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