PUBLICIDADE
Topo

Política

Bolsonaro repete "solução Pazuello" para Ernesto e procura saída honrosa

Carla Araújo, Jamil Chade e Hanrrikson de Andrade

Colunistas do UOL e do UOL, em Brasília

25/03/2021 15h11Atualizada em 25/03/2021 20h15

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) está sendo pressionado a aceitar a demissão de mais um de seus auxiliares "obedientes". A cabeça da vez é a do ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, que ontem foi atacado por senadores publicamente.

Nesta quinta-feira (25) de manhã, depois de ter mandado uma série de recados ao governo, o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), abriu as portas para ouvir o chanceler, mas a auxiliares arrematou: "não tem como ele continuar ministro".

Lira foi pessoalmente ao Planalto logo depois. Bolsonaro ouviu as reclamações. De forma atípica, após a conversa, fez questão de caminhar com o presidente da Câmara pelos corredores do Planalto falando em harmonia.

A aliados o presidente da Câmara afirmou que era a hora de tratar o governo como "um filho rebelde". Para Lira, o Congresso (lei-se: o centrão) poderia dar essa maturidade ao governo Bolsonaro.

Pois bem, essa maturidade na avaliação dos parlamentares, é demitir Ernesto Araújo. E de preferência mandar embora também o ministro do Meio ambiente, Ricardo Salles.

Mais um ex-aliado?

Acontece que Bolsonaro sempre blindou Ernesto. O presidente ouve críticas da gestão do auxiliar há tempos e continua a ignorá-las. O presidente então tenta repetir uma fórmula (que não deu muito certo) com o ex-ministro da Saúde general Eduardo Pazuello, de arrumar um novo posto, dar algum tipo de agrado com outro cargo.

A eventual ou iminente saída de Ernesto tende a incomodar a chamada ala ideológica do governo. Justamente, por isso, o presidente tenta organizar o xadrez.

Na saída sofrida de Pazuello, que saiu 'atirando', Bolsonaro cogitou criar um ministério, pensou em entregar a pasta de privatizações ao general e, por fim, deve mesmo conseguir apenas abrigar o ex-auxiliar no Ministério da Defesa.

Com Ernesto, apostam alguns interlocutores, o presidente poderia encontrar uma "boa embaixada", só que para isso teria que contar com a boa vontade de uma aprovação pelos senadores. A piada palaciana no momento é: "temos que resolver a vida do Pazuello dois".

Reação nas embaixadas

Pelas embaixadas estrangeiras, a audiência no senado foi acompanhada com total atenção. Mas, ao terminar, esses diplomatas enviaram para suas respectivas capitais que Ernesto vivia uma situação "insustentável".

Numa delas, o telegrama veio com um recado de que o país estrangeiro deveria se preparar para retomar o diálogo com o Brasil, caso ficasse confirmada a queda.

Senadores "no limite"

O desgaste da relação entre Ernesto e o Congresso chegou ao limite no Senado. Parlamentares avisam que, caso o ministro não seja destituído do cargo, devem oferecer resistência a indicações de embaixadores e outros pleitos que sejam enviados à Casa pelo Itamaraty.

O ambiente de hostilidade ao chanceler ficou ainda mais evidente depois da audiência de ontem (24), quando ele foi questionado sobre os esforços da pasta das Relações Exteriores no processo de aquisição de vacinas, insumos e outros itens fundamentais ao tratamento do coronavírus. Durante a sessão, congressistas pediram, sem cerimônias, que ele deixasse o cargo.

Além disso, irritou ainda mais os parlamentares o polêmico episódio do assessor especial Filipe Martins, flagrado em vídeo fazendo gestos obscenos e racistas às costas do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), que pediu investigação.

A maior aposta do momento é que Filipe e Ernesto deixem juntos o governo.

Política