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15 dias

Oposição comemora decisão do STF sobre CPI da Covid e vê Bolsonaro culpado

Presidente da República é visto por parlamentares da oposição como principal responsável pela situação crítica da pandemia, ainda que CPI também vá investigar estados e municípios - EPA
Presidente da República é visto por parlamentares da oposição como principal responsável pela situação crítica da pandemia, ainda que CPI também vá investigar estados e municípios Imagem: EPA

Do UOL, em São Paulo

14/04/2021 17h20Atualizada em 14/04/2021 19h41

Parlamentares de oposição ao governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) comemoraram hoje a decisão do plenário do STF (Supremo Tribunal Federal) que confirmou a instalação da CPI da Covid no Senado. Deputados e senadores também compartilharam que veem Bolsonaro como o principal responsável pela situação crítica da pandemia de covid-19 no país.

Nas redes sociais, a maioria dos parlamentares que se manifestaram foram do PT e do PSOL, enquanto aliados do presidente da República preferiram não comentar a decisão dos ministros do STF.

O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), autor da CPI, disse que o Supremo consagra o que está escrito na Constituição. "Comissões Parlamentares de Inquérito são direitos da minoria parlamentar e precisam de apenas três pré-requisitos: número mínimo de assinaturas correspondente a 1/3 dos membros da Casa Legislativa, tempo certo e fato determinado. O que o Supremo fez foi apenas dizer: cumpra-se".

Recentemente, Randolfe foi alvo de ataques por Jair Bolsonaro. Em áudio divulgado pelo senador Jorge Kajuru (Cidadania-GO), o presidente afirma que vai ter que "sair na porrada" com o parlamentar, que "vai encher o saco" durante as investigações da CPI.

O senador Humberto Costa (PT-PE) também comemorou a decisão do STF. "Estamos juridicamente respaldados para investigar as causas dessa tragédia que já matou 360 mil brasileiros", escreveu ele no Twitter.

A deputada federal Luiza Erundina (PSOL-SP), que se candidatou nas últimas eleições municipais à vice-prefeita de São Paulo, apontou Bolsonaro como culpado por "crimes" cometidos na gestão da pandemia.

"Bolsonaro é o principal responsável pela tragédia que estamos vivendo. Ele precisa responder por seus crimes. Senadores, iniciem os trabalhos da CPI!", disse a ex-prefeita da capital paulista.

Já o deputado federal Alexandre Padilha (PT-SP) falou em "crime de responsabilidade", mas não se referiu diretamente a Bolsonaro, já que a CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) também investigará o uso de recursos federais por estados e municípios.

"STF acaba de confirmar decisão pela criação da CPI da Covid, que também pode ser chamada de "CPI DO GENOCÍDIO". O Brasil merece respostas e aqueles que cometeram crime de responsabilidade devem ser punidos", disse Padilha.

Em nota, o senador Jean Paul Prates (PT-RN) parabenizou a decisão dos ministros do STF. "Agora, esperamos que os líderes indiquem, o quanto antes, os nomes dos senadores que irão compor a CPI. A CPI é urgente e podemos trabalhar de forma semipresencial, com protocolos rígidos e testagem dos senadores, funcionários do senado e pessoas convocadas".

A fala faz referência a uma exigência do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), de reuniões presenciais para a CPI. Para a oposição, o movimento tenta atrasar a investigação contra o governo Bolsonaro.

"O funcionamento de forma virtual já teve sua eficiência comprovada no bom funcionamento do Plenário da Casa. Não cabem desculpas para se atrasar a imediata entrada em funcionamento desta Comissão", acrescentou Prates.

O deputado federal Alessandro Molon (PSB-RJ) afirmou que a decisão do STF é uma "boa notícia" e que a CPI deve funcionar "desde já, e não quando a maioria do Senado quiser".

A deputada federal Erika Kokay (PT-DF) foi mais uma a considerar Bolsonaro culpado, ao chamar o presidente de "genocida".

"STF decide por 10 votos a 1 manter a instalação da CPI da Covid-19 no Senado. Há muito que ser investigado. O Brasil precisa de vacina, auxílio digno e punição exemplar para o presidente genocida!", escreveu na rede social.

O deputado federal Marcelo Freixo (PSOL-RJ) foi na mesma linha da parlamentar petista.

"STF acaba de confirmar a decisão do ministro Barroso que determinou a criação da CPI da Covid. É preciso acelerar a instalação p/ que os trabalhos comecem imediatamente e os crimes de Bolsonaro na pandemia sejam investigados", afirmou.

Ex-aliada vê "CovidGate"

Em referência ao escândalo político Watergate, ocorrido na década de 1970 nos Estados Unidos e que provocou a renúncia do então presidente Richard Nixon, a deputada federal Joice Hasselmann (PSL-SP) chamou a CPI de CovidGate, e também comemorou a sua instalação.

Ex-aliada de Bolsonaro, Joice afirmou que o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), não queria instalar a CPI, e por isso a decisão do STF foi fundamental. Além disso, a deputada também prevê a saída de Bolsonaro do cargo por causa da investigação.

"Senado vai ter investigar o CovidGate, mesmo com a falta de vontade do presidente, Rodrigo Pacheco. STF decidiu que CPI do Covidão vai ter que andar e ponto final. Foram 10 votos contra 1. Se o trabalho for feito de forma séria e célere, em breve Mourão assume a presidência", afirmou Joice.

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