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Kennedy Alencar

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

STF fortalece CPI da Pandemia e impõe grave derrota a Bolsonaro e Pacheco

Bolsonaro e Rodrigo Pacheco, durante entrega da Medida Provisória de capitalização da Eletrobras, em 23 de fevereiro  - Alan Santos/PR
Bolsonaro e Rodrigo Pacheco, durante entrega da Medida Provisória de capitalização da Eletrobras, em 23 de fevereiro Imagem: Alan Santos/PR
Kennedy Alencar

O jornalista Kennedy Alencar é correspondente e comentarista da rádio CBN em Washington. Começou sua carreira em 1990 na ?Folha de S.Paulo?, onde foi redator, repórter, editor da coluna ?Painel? e enviado especial às guerras do Kosovo e Afeganistão. É autor do livro ?Kosovo, a Guerra dos Covardes? (editora DBA). Na RedeTV!, apresentou durante cinco anos o programa de entrevistas ?É Notícia? e mediou os debates presidenciais de 2010 e municipais de 2012. Estreou como comentarista da rádio CBN em 2011. Criou o "Blog do Kennedy" em 2013. Trabalhou no SBT entre 2014 e 2017. É produtor-executivo e roteirista do documentário ?What Happened to Brazil?, realizado para a BBC World News. Com uma versão em português intitulada ?Brasil em Transe?, o documentário retrata a crise que começa nas manifestações de junho de 2013, passa pelo impacto da Lava Jato e do impeachment de Dilma na política e na economia e resulta na eleição de Bolsonaro.

Colunista do UOL

14/04/2021 15h49

A decisão do plenário do Supremo Tribunal Federal que confirmou o direito constitucional de a minoria parlamentar instalar a CPI da Pandemia é uma grave derrota do presidente Jair Bolsonaro, mas também do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG).

O STF fortaleceu a CPI da Pandemia, dando a ela o aval de um dos Poderes da República porque Pacheco estava agindo ilegalmente. Ficou mais difícil para Bolsonaro e Pacheco tentar esvaziar a investigação.

O presidente do Senado estava simplesmente desrespeitando a Constituição ao impedir a instalação de uma CPI que cumpria todos os requisitos legais para começar a funcionar (objeto determinado, apoio de, pelo menos, um terço dos 81 senadores e prazo determinado). É muito negativo para um presidente do Senado, que também preside o Congresso, tomar um puxão de orelha de todo o plenário do Supremo, que referendou a decisão monocrática do ministro Roberto Barroso dada na semana passada pela instalação imediata da CPI.

Com o julgamento do plenário do STF, ficarão mais difíceis as manobras protelatórias que Pacheco tenta patrocinar, como exigir reunião presencial para escolher presidente e relator da CPI. Ora, o STF e o próprio Senado têm funcionado virtualmente. O planeta está trabalhando assim.

Pacheco tenta prestar serviço a Bolsonaro, que o escuta sobre indicações para o governo. O presidente do Senado alegou que não era momento de instalar CPI, assumindo ares de ditador no Congresso e de falso moderado. Usou a justificativa inacreditável de que o funcionamento da CPI desacreditaria as autoridades públicas. O descrédito das autoridades públicas decorre de atitudes como as de Bolsonaro e de Pacheco, por exemplo.

Por último, Pacheco invocou risco à saúde dos senadores em eventuais reuniões presenciais. Haja vontade de apresentar desculpas esfarrapadas. Se tivesse em relação ao bem-estar da população a mesma preocupação demonstrada a respeito da saúde dos parlamentares, ele teria instalado faz tempo a CPI, uma medida que pode diminuir a sabotagem diária de Bolsonaro à vida dos brasileiros.

Pacheco tem sido cúmplice do genocídio em curso no país. É parceiro de Bolsonaro na resposta incompetente à pandemia. Aliás, a quantas anda o pacto nacional que ele e o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), encenaram com o genocida faz duas semanas?

Discurso cordial e vazio não é moderação política, mas o tipo de esperteza que, quando excessiva, costuma engolir o dono, como se diz em Minas Gerais.

Especular a respeito de eventual candidatura presidencial de Pacheco só mesmo achando que o fracasso subiu à cabeça, o que é uma atitude típica de Bolsonaro e auxiliares. Esse rumor que parece piada ganhou a praça devido a análises equivocadas do Palácio do Planalto.

Rodrigo Pacheco conquistou a presidência do Senado recentemente e já obteve a proeza de ficar mal na foto histórica. Não dá para levar a sério uma aspiração presidencial que começa tão capenga e com erros tão básicos na política.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL