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8 meses

Calheiros quer contratar agência de checagem de fatos para CPI da Covid

Renan Calheiros disse ver "reiterada prática da mentira" na CPI da Covid e defende checagem de fatos - Jefferson Rudy/Agência Senado
Renan Calheiros disse ver "reiterada prática da mentira" na CPI da Covid e defende checagem de fatos Imagem: Jefferson Rudy/Agência Senado

Do UOL, em São Paulo

19/05/2021 18h45Atualizada em 20/05/2021 15h18

Relator da CPI da Covid, o senador Renan Calheiros (MDB-AL) disse hoje que vai pedir ao presidente da comissão, Omar Aziz (PSD-AM), a contratação de uma agência de checagem de fatos para acompanhar os depoimentos feitos aos senadores. A ideia foi anunciada logo após a suspensão da oitiva do ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello — a quem Calheiros acusou de mentir.

"Vou pedir amanhã para que o presidente [Aziz] contrate, pela CPI, uma agência checadora [sic] de fatos, à disposição da CPI", anunciou o relator em coletiva. "Eu acho importantíssimo que, diante da reiterada prática da mentira, a gente possa evidentemente contratar esse serviço, porque eles [os fatos] serão levantados online não pela comissão, mas por uma empresa que terá a obrigação de rapidamente fazer isso."

O senador ainda criticou Pazuello pelas declarações à CPI, nas quais viu contradições. Ele citou como exemplo a resposta do ex-ministro da Saúde às inúmeras tentativas de contato feitas pela Pfizer em 2020 — e ignoradas pelo governo federal — para o fornecimento de vacinas contra a covid-19.

"Ele [Pazuello] tentou responder a partir de dezembro, mas a pergunta não era exatamente aquela. Era por que eles teriam deixado de receber a Pfizer durante aquele período em que a empresa mandou uma carta se colocando à disposição para vender as 70 milhões de doses de vacina. Ele respondeu com imprecisão e mentiu muito, infelizmente", lamentou Calheiros.

O depoimento do ministro Pazuello foi sofrível, verdadeiramente. Amanhã nós vamos dar prosseguimento a ele, e ele pode evidentemente mudar. Mas ele fez um exercício para não responder às perguntas que foram colocadas. Quando as respondia, respondia com imprecisão.
Renan Calheiros (MDB-AL), relator da CPI

Pelo Twitter, Calheiros afirmou que o depoimento de Pazuello foi "cheio de contradições e mentiras".

Possibilidade de acareação

Presente na coletiva, o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), vice-presidente da comissão, também apontou "evidentes contradições" no depoimento de Pazuello. Ele não descartou a possibilidade de fazer acareações — confrontações entre duas testemunhas —, mas admitiu que o processo seria demorado demais porque envolveria muitos interrogatórios.

"Me preocupo, senador Renan e presidente Omar... Se tivermos que fazer acareações, o restante da CPI será somente de acareações do senhor Eduardo Pazuello", opinou. "Seria com o secretário [estadual] de Saúde do Amazonas, seria com o CEO da Pfizer, seria com o Instituto Butantan, seria com o [ex-chanceler] Ernesto Araújo. Acho mais produtivo suspender [a sessão de hoje]."

Tiveram evidentes contradições entre o que ele falou e os fatos, principalmente nos questionamentos feitos pelo senador Renan [Calheiros]. (...) Quando o Instituto Butantan vier aqui, vai ficar mais do que confirmado que as alegações que ele trouxe nesta CPI não correspondem aos fatos. É de conhecimento de todos as negativas do presidente da República [Jair Bolsonaro] em relação à CoronaVac.
Randolfe Rodrigues (Rede-AP), vice-presidente da CPI

A CPI da Covid foi criada no Senado após determinação do Supremo. A comissão, formada por 11 senadores (maioria é independente ou de oposição), investiga ações e omissões do governo Bolsonaro na pandemia do coronavírus e repasses federais a estados e municípios. Tem prazo inicial (prorrogável) de 90 dias. Seu relatório final será enviado ao Ministério Público para eventuais criminalizações.