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Conteúdo publicado há
4 meses

Josias: CPI da Covid precisa reagir a sequência de mentiras de Pazuello

Do UOL, em São Paulo

19/05/2021 12h54Atualizada em 19/05/2021 13h52

O colunista do UOL Josias de Souza disse hoje, durante o UOL News, que o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello, que depõe na CPI da Covid, está sendo desmentido em tempo real durante a sua fala aos parlamentares do Senado Federal. Confira a análise do UOL Confere sobre as declarações do general.

Josias disse não acreditar que dar voz de prisão ao general seja necessário, no entanto, apontou que a CPI deve sinalizar que o ex-ministro se comprometa a falar a verdade sobre o que aconteceu durante a sua gestão à frente da pasta. Pazuello, assim como todos os outros depoentes, jurou dizer a verdade durante as suas falas.

"A CPI tem que saber como lidar com isso daqui. Não digo que tenha que dar voz de prisão ao general. Até porque o general está ali com uma decisão do Supremo. Mas é preciso tomar uma providência, que sinalize 'olha, não somos imbecis. Então, não abuse da inteligência alheia'. Mandar um comunicado para o Supremo, mandar uma representação para o Ministério Público. Alguma coisa precisa ser feita para demarcar essa afronta. O que está acontecendo agora é uma afronta, uma sequência de mentiras. A CPI tem que ter uma reação a isso. Não vai dar voz de prisão, mas alguma coisa precisa ser feita."
Josias de Souza no UOL News

Para o colunista, Pazuello é desmentido em tempo real, "tenta dar um jeito ali, mas fica difícil". Mais cedo, Josias afirmou que o início da fala do general na CPI já mostra que o presidente "Bolsonaro conseguiu o que desejava, colocando seu general de estimação na coleira", de modo que o ex-ministro "reproduziu todo o lero-lero inicial" do governo federal, atribuindo a culpabilização pelas mortes de covid-19 aos municípios.

Na última semana, atendendo em parte a um pedido feito ontem pela AGU (Advocacia-Geral da União), o ministro Ricardo Lewandowski, do STF (Supremo Tribunal Federal), decidiu que Eduardo Pazuello, poderia ficar em silêncio em seu depoimento à CPI da Covid. No entanto, durante sua fala, Pazuello afirmou que irá "responder todas as perguntas, sem exceção".

'Desmoralização'

Para o colunista do UOL Leonardo Sakamoto, o depoimento de Pazuello pode provocar uma "desmoralização" da CPI se nada for feito com relação as "mentiras" que o general estaria proferindo.

Acho que a CPI corre risco de desmoralização grande se, diante dessa profusão de mentiras do general Pazuello, nada for feito. Sabia-se que isso aconteceria. Ele está adotando o método dos bolsonaristas de reinvenção, de pintar a realidade, de mudar o discurso e de se fazer de louco. Mas, de qualquer maneira, se isso não tiver uma consequência realmente, aí você pode fechar a CPI e nadar em uma piscina de cloroquina, que não vai para lugar nenhum."
Leonardo Sakamoto no UOL News

A gestão de Pazuello durou entre 16 de maio de 2020 e 23 de março de 2021. O ex-ministro deve ser questionado ao longo do dia principalmente em relação ao agravamento da crise sanitária no Amazonas e a falta de oxigênio para os pacientes internados.

A CPI da Covid foi criada no Senado após determinação do Supremo. A comissão, formada por 11 senadores (maioria é independente ou de oposição), investiga ações e omissões do governo Bolsonaro na pandemia do coronavírus e repasses federais a estados e municípios. Tem prazo inicial (prorrogável) de 90 dias. Seu relatório final será enviado ao Ministério Público para eventuais criminalizações.