PUBLICIDADE
Topo

Conteúdo publicado há
4 meses

Citações de pênis inflável e atriz pornô agitam CPI da Covid e viralizam

Do UOL, em São Paulo

25/05/2021 21h12Atualizada em 26/05/2021 18h56

Diálogos envolvendo "pênis inflável na Fiocruz" e "atriz pornô em estudo sobre cloroquina" agitaram os trabalhos realizados por senadores na CPI da Covid, que investiga ações e omissões do governo federal durante enfrentamento da pandemia da covid-19. As falas no mínimo curiosas viralizaram nas redes sociais e entraram para a lista de assuntos mais comentados no Twitter.

Na primeira delas, o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) resgatou um áudio gravado pela secretária de Gestão do Trabalho e da Educação em Saúde, Mayra Pinheiro, popularmente conhecida como "Capitã Cloroquina" por sua defesa no uso do medicamento sem comprovação científica contra a covid-19.

Na gravação, Mayra faz críticas à Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), em que questiona uma suposta atuação enviesada da entidade e a acusa de ser contra todo mundo que "não é de esquerda". Ela diz, por exemplo, que "tudo deles [na Fiocruz] envolve LGBTI [Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transexuais e Intersexual], eles têm um pênis na porta da Fiocruz".

Randolfe então questiona sobre a fala à servidora do Ministério da Saúde, que reafirma ter visto um pênis inflável nas instalações da Fiocruz. O presidente da comissão, senador Omar Aziz (PSD-AM), no entanto, entende "tênis" em vez de "pênis".

  • Randolfe Rodrigues - A senhora pensa a mesma coisa ainda da Fiocruz?
  • Mayra Pinheiro - Esse áudio foi uma resposta a um colega, não foi agora, enquanto estou secretária de Governo, e houve um vazamento. Nessa época isso era a constatação, Senador, de fatos. Eu acho que o papel dessa instituição de excelência...
  • Randolfe Rodrigues - Em algum momento da história da Fiocruz teve um aparelho reprodutor masculino na porta?
  • Mayra Pinheiro - Sim.
  • Omar Aziz - Não...
  • Mayra Pinheiro - Sim.
  • Omar Aziz - Não, ela falou "tênis" - "tênis"!
  • Mayra Pinheiro - Não, senhor.
  • Marcos Rogério - Não, não, não...
  • Omar Aziz - Ah, não?
  • Mayra Pinheiro - Não, senhor.
  • Marcos Rogério - Omar...
  • Mayra Pinheiro - Existia um objeto inflável em comemoração a uma campanha na porta da entidade. Isso é uma constatação, senador.
  • Randolfe Rodrigues - A senhora, então, reafirma isso?
  • Mayra Pinheiro - Sim, isso é...
  • Randolfe Rodrigues - Não, perfeitamente.
  • Mayra Pinheiro - ...uma constatação de fato.

Atriz pornô

Já no final da sessão, o senador governista Luis Carlos Heinze (Progressistas-RS) recuperou a história revelada em junho do ano passado pelo jornal inglês The Guardian, quando a empresa Surgisphere —que conduziu um teste publicado na revista científica The Lancet, condenando o uso da cloroquina contra a covid-19— descobriu depois que entre os funcionários constavam uma atriz pornô e uma escritor de ficção científica.

"Pesquisadores começaram a investigar e descobriram que a gerente de vendas da Surgisphere era, pasmem, Sras. Deputadas que estão aqui, Srs. Senadores, a gerente de vendas da Surgisphere era uma atriz pornô. Uma atriz pornô. Nada contra ela", disse Heinze.

Na ocasião, os pesquisadores retiraram o artigo da revista The Lancet — afirmaram que a Surgisphere não iria transferir o conjunto completo de dados para uma análise independente e "não podem mais garantir a veracidade das fontes primárias de dados".

Nas redes sociais, muita gente confundiu a história relatada por Heinze com o meme da ex-atriz pornô libanesa Mia Khalifa, citada como doutora Marcela Pereira, uma suposta infectologista do Instituto Emílio Ribas e que estaria conduzindo um estudo sobre o uso da cloroquina no tratamento da covid-19. O meme que circulou no início da pandemia já foi desmentido por agências de checagem.

Após repercussão, Mia Khalifa reagiu em seu perfil. "Não sei quem precisa ouvir isso (Brasil), mas não sou médica. Então não aceite conselhos médicos de memes falsos meus que você encontrou no WhatsApp", alertou ela.

Os dois assuntos mobilizaram internautas nas redes sociais e (acredite!) entraram para a lista de assuntos mais comentados do Twitter.

A CPI da Covid foi criada no Senado após determinação do Supremo. A comissão, formada por 11 senadores (maioria é independente ou de oposição), investiga ações e omissões do governo Bolsonaro na pandemia do coronavírus e repasses federais a estados e municípios. Tem prazo inicial (prorrogável) de 90 dias. Seu relatório final será enviado ao Ministério Público para eventuais criminalizações.