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Mayra Pinheiro, a 'capitã cloroquina', é vacinada contra covid-19

Mayra Pinheiro disse nas redes sociais que foi vacinada contra a covid-19  - Reprodução/Instagram/dra.mayra.oficial
Mayra Pinheiro disse nas redes sociais que foi vacinada contra a covid-19 Imagem: Reprodução/Instagram/dra.mayra.oficial

Do UOL, em São Paulo

15/06/2021 08h09

A secretária de Gestão do Trabalho e da Educação em Saúde do Ministério da Saúde, Mayra Pinheiro, conhecida como "capitã cloroquina", disse que foi vacinada contra a covid-19. Ela postou uma foto em sua conta na Instagram na qual segura o cartão de vacinação.

Na CPI da Covid, no fim de maio, o senador Renan Calheiros (MDB-AL) quis saber se ela já tinha se imunizado. "Ainda não", respondeu. "No dia em que minha vacina estava agendada, eu adquiri covid-19". A secretária omitiu, no entanto, que adoeceu antes do dia 21 de março deste ano, informou a colunista do UOL Cristina Tardáguila.

Na CPI, a servidora ainda declarou ser a favor das vacinas, mas observou que "tudo é incerto" na pandemia e que a imunização não pode ser o único fator de preocupação.

"O lockdown, por exemplo, foi adotado muitas vezes de forma completamente inadequada, quando a gente tem milhares de publicações mostrando que essa medida pode ser ineficiente. A própria OMS, que recomendou o lockdown, hoje diz que ele pode ser responsável pela fome e pela miséria. Então, na covid, tudo é incerto."

A declaração de Mayra deturpa uma entrevista concedida pelo diretor da OMS David Nabarro em outubro passado, na qual ele afirmava que o lockdown pode ampliar a desigualdade socioeconômica da população. No entanto, o órgão defende que o lockdown não seja utilizado como única opção no combate ao vírus, mas, sim, como uma das ações para tentar refrear a pandemia.

Defesa da cloroquina

Mayra rebateu críticas de senadores a medicamentos como cloroquina e hidroxicloroquina. Ao longo da fala, ela defendeu o uso da cloroquina na fase inicial da covid-19, sendo que a substância hoje em dia é contraindicada para a doença pela OMS (Organização Mundial da Saúde).

Ela ainda negou suposta ordem ou influência do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) sobre seu posicionamento. O mandatário é um defensor veemente do uso da cloroquina no enfrentamento ao novo coronavírus.

Ao afirmar que o Ministério da Saúde "nunca indicou" supostos tratamentos para a covid-19, a secretária fez uma alegação falsa, já que há registros claros de recomendação, por parte da pasta, de medicamentos sem eficácia comprovada para a doença. Mayra Pinheiro também omitiu o histórico do governo de Jair Bolsonaro em defesa destas substâncias.

O Ministério da Saúde também chegou a lançar em janeiro um aplicativo, o TrateCov, que recomendava o uso das medicações. O Ministério da Saúde, a Casa Civil e a TV Brasil registraram o lançamento do aplicativo em Manaus, conforme noticiado pela colunista do UOL Cristina Tardáguila.

Quebra de sigilo

No último sábado (12), os ministros Ricardo Lewandowski e Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), negaram os pedidos apresentados pelas defesas e mantiveram as quebras de sigilo telefônico e telemático do ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, de Mayra Pinheiro, e do ex-ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, aprovadas na CPI da Covid.

A argumentação de Lewandowski, relator das ações de Pazuello e Pinheiro, seguiu a mesma linha de raciocínio nos dois casos. Para o ministro, a quebra de sigilo "guarda plena pertinência com o escopo da investigação", e não se mostram, ao menos a princípio, abusivas ou ilegais, como alegaram as defesas nas representações.

Na ocasião, o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), vice-presidente da CPI, avaliou que as decisões de Lewandowski e Moraes indicam que a comissão "está no caminho certo".

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