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Randolfe: responsáveis por falta de oxigênio no AM vão responder por mortes

O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), durante sessão da CPI da Covid - Jefferson Rudy/Agência Senado
O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), durante sessão da CPI da Covid Imagem: Jefferson Rudy/Agência Senado

Rosiene Carvalho

Colaboração para o UOL, em Manaus

15/06/2021 11h12Atualizada em 15/06/2021 11h12

O vice-presidente da CPI da Covid, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), declarou que o relatório final da comissão vai pedir o indiciamento por homicídio dos responsáveis pela falta de oxigênio hospitalar no Amazonas. Para Randolfe, a omissão de socorro no estado por parte das autoridades públicas foi criminosa, e mortes por asfixia poderiam ter sido evitadas.

O desabastecimento de oxigênio em Manaus explodiu no dia 14 de janeiro, e durou, pelo menos, quatro semanas.

Ao ser questionado sobre qual a responsabilidade específica das autoridades públicas, estaduais e federais, a respeito das ofertas de aeronaves para transportar oxigênio a Manaus ignoradas no pico da crise, o senador respondeu: "Prevaricação, homicídio culposo e, a se analisar, homicídio doloso, claramente pela omissão em socorrer, primeiramente, e por não ter os dados claros do que em Manaus ia ocorrer. No mínimo, isso resta caracterizado e deve constar no relatório final da CPI".

Em 25 de janeiro, o UOL publicou com exclusividade que o Ministério da Saúde e o governo do Amazonas receberam nos dias 16 e 18 de janeiro ofertas de três aeronaves, duas da ONU (Organização das Nações Unidas) e uma do governo dos Estados Unidos, para transportar de forma mais rápida oxigênio até o Amazonas.

A autorização para a utilização destes aviões, que deveria ser dada pelo governo federal, ficou em análise durante nove dias. As aeronaves nunca entraram no circuito.

No colapso pessoas morreram asfixiadas e houve "racionamento" de oxigênio nos hospitais em Manaus e cidades do interior. Prefeitos com fretaram aeronaves de baixa capacidade e alto custo para conseguir cilindros de oxigênio de outros estados. As autoridades nunca fizeram levantamento preciso de quantas pessoas morreram sem oxigênio na crise.

"Não tenha dúvida que os responsáveis serão apontados no relatório final da CPI. Diante do caos em curso, o governo brasileiro tinha que ter mobilizado toda sua força aérea. Não era um ou outro avião. Quando o oxigênio começou a colapsar, a senhora Mayara Pinheiro foi fazer lançamento de TrateCov em Manaus, mandou cloroquina. Tem umas cartas no dia 7 de janeiro ela indicando que a alternativa de enfrentamento da pandemia em Manaus seria a distribuição de kits para tratamento precoce, e esse pessoal estava precisando de oxigênio", afirmou Randolfe.

Itamaraty

O senador afirmou que houve falhas no Ministério das Relações Exteriores, cuja atuação poderia ter atenuado a crise em Manaus. Randolfe afirmou que, além da oferta de aeronaves ignoradas, o governo poderia ter trazido com agilidade oxigênio da Venezuela para evitar o colapso em Manaus.

"Não é possível que a nossa diplomacia não soubesse que na cidade de Puerto Ordaz tem uma fábrica de oxigênio que poderia ajudar os manauaras", disse.

Randolfe disse que no pico da crise o embaixador da Venezuela entrou em contato com ele para tentar oferecer doação de oxigênio ao governador do Amazonas.

"O governo da Venezuela disponibilizou oxigênio e abriu seu espaço aéreo para o oxigênio chegar mais rapidamente em Manaus. [O Governo Brasileiro] não só não pediu como depois não agradeceu. A omissão que ocorreu em Manaus, no Amazonas, foi criminosa. A tragédia poderia ter sido evitada", disse.

O vice-presidente da CPI afirmou também que já há indícios de que houve "conluio" entre laboratórios e agentes públicos brasileiros para a prática de advocacia administrativa e favorecimento de grupos econômicos.

A CPI da Covid foi criada no Senado após determinação do Supremo. A comissão, formada por 11 senadores (maioria é independente ou de oposição), investiga ações e omissões do governo Bolsonaro na pandemia do coronavírus e repasses federais a estados e municípios. Tem prazo inicial (prorrogável) de 90 dias. Seu relatório final será enviado ao Ministério Público para eventuais criminalizações.