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Impasse sobre como ouvir Arthur Weintraub nos EUA atrasa depoimento à CPI

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e o agora ex-assessor da Presidência, Arthur Weintraub - Reprodução/Twitter
O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e o agora ex-assessor da Presidência, Arthur Weintraub Imagem: Reprodução/Twitter

Luciana Amaral

Do UOL, em Brasília

18/06/2021 04h00

A falta de consenso entre senadores da CPI da Covid sobre como ouvir o ex-assessor especial da Presidência da República Arthur Weintraub, que hoje mora nos Estados Unidos, tem atrasado a realização do depoimento dele.

A convocação de Arthur foi aprovada pela Comissão Parlamentar de Inquérito em 26 de maio, mas, até hoje, sua oitiva não tem previsão de data.

Arthur trabalha na OEA (Organização dos Estados Americanos) em Washington D.C desde o final do ano passado após indicação da gestão Jair Bolsonaro (sem partido). Ele é irmão do ex-ministro da Educação Abraham Weintraub, que também vive nos EUA após ser indicado a posto no Banco Mundial pelo governo brasileiro.

Senadores relataram à reportagem que, apesar das discussões em como ouvi-lo, ainda não há consenso sobre o que fazer. Alguns defendem que a CPI mande uma carta rogatória e que Arthur seja interrogado pelas autoridades americanas.

Um ponto que pesa contra esse método é a possível morosidade para acertar o acordo entre o Judiciário brasileiro e americano. A CPI foi instalada em 27 de abril e tem data final prevista para 9 de agosto — o prazo pode ser prorrogado.

Outros senadores defendem que a CPI envie um grupo de membros aos Estados Unidos para colher pessoalmente o depoimento de Arthur. No entanto, isso deve levantar críticas acerca do tempo gasto e dos custos envolvidos.

Ainda, há quem acredite que não se deve abrir um precedente para que convocados sejam ouvidos no exterior, levando-se em consideração que a CPI está atrás de ouvir o empresário bolsonarista Carlos Wizard, também nos Estados Unidos, sem sucesso até o momento.

O presidente da comissão, Omar Aziz (PSD-AM), pediu a condução coercitiva de Wizard e a apreensão de seu passaporte. Portanto, preferem esperar o desenrolar da situação de Wizard para então analisar como proceder com Arthur.

Assim como Wizard, Arthur entrou na mira da CPI por ser apontado como um dos líderes do chamado "gabinete paralelo", que assessorava o presidente informalmente na pandemia do novo coronavírus, inclusive com médicos a favor de medicamentos sem eficácia comprovada contra a covid-19.

De acordo com parlamentares da comissão, depoimentos obtidos mostram que cabia a Weintraub realizar buscas em blogs, fóruns de discussão e outras fontes na internet, sem validação científica, para municiar Bolsonaro com informações que são rebatidas pela ciência.

A CPI da Covid foi criada no Senado após determinação do Supremo. A comissão, formada por 11 senadores (maioria era independente ou de oposição), investigou ações e omissões do governo Bolsonaro na pandemia do coronavírus e repasses federais a estados e municípios. Teve duração de seis meses. Seu relatório final foi enviado ao Ministério Público para eventuais criminalizações.