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Renan diz que Bolsonaro precisa de focinheira após ataque a jornalista

Senador Renan Calheiros diz que Bolsonaro deve usar focinheira, e não máscara - Jefferson Rudy/Agência Senado
Senador Renan Calheiros diz que Bolsonaro deve usar focinheira, e não máscara Imagem: Jefferson Rudy/Agência Senado

Do UOL, em São Paulo

22/06/2021 08h49Atualizada em 22/06/2021 15h35

O senador e relator da CPI da Covid, Renan Calheiros (MDB-AL), disse que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) precisa usar uma focinheira ou bridão de argolha após ataque a jornalista Laurete Santos, da Rede Vanguarda, afiliada da TV Globo no Vale do Paraíba (SP).

Bolsonaro foi questionado ontem por que não usava máscara quando chegou para cumprir agenda em Guaratinguetá (SP), e, aparentemente nervoso, mandou a jornalista "calar a boca". O uso obrigatório de máscara em São Paulo é previsto em lei estadual.

Talvez tenhamos errado na solicitação ao presidente da República. Pode não ser mesmo o caso de pedir para ele usar máscara, mas focinheira ou bridão de argola."
Senador Renan Calheiros

A mensagem de Renan foi publicada nas redes sociais com a hashtag "Descontrolado" em referência ao comportamento do presidente. No vídeo, Bolsonaro também manda a própria equipe calar a boca, reclama da cobertura feita pela CNN das manifestações contra o seu governo e ataca a TV Globo.

Aglomeração do bem, ironiza Bolsonaro

Nesta manhã, o presidente Bolsonaro compartilhou vídeo do senador e do filho, o governador de Alagoas, Renan Filho (MDB), em inauguração de hospital no estado. Eles aparecem rodeados por dezenas de pessoas, todas, aparentemente, de máscara, mas sem respeitar o distanciamento social.

"Renan pai e filho fazendo aglomeração do bem", ironizou o presidente Bolsonaro nas redes sociais. "A falta de caráter é a marca do relator da CPI".

Após a publicação, o governador Renan Filho rebateu o comentário dizendo que o vídeo mostra a inauguração de hospital e que, "pela comoção do momento, algumas pessoas compareceram". Segundo ele, não houve convites e todos estavam de máscara.

Renan Filho ainda criticou a atuação do governo federal durante a pandemia. "Sua condução é considerada a pior do planeta e já levou mais de 500 mil brasileiros à morte".

O relator da CPI da Covid também se manifestou. "O presidente Bolsonaro chamou de mau caráter os que estavam inaugurando hospital em Alagoas. Bom mesmo é cloroquina, imunidade de rebanho. Hospital? Ciência? Saúde? É o mal! Quis ofender, mas foi quase confissão de culpa", escreveu.

Renan Calheiros é o relator da CPI da Covid e fica responsável por acompanhar todo o trabalho da comissão e escrever o relatório sobre os resultados das apurações, que é apresentado ao fim da comissão para aval dos membros. O governo tentou barrar o senador da relatoria da CPI.

Senadores da CPI condenam ataque a jornalista

Membros da CPI da Covid emitiram nota conjunta em solidariedade à jornalista Laurene Santos, da TV Vanguarda. Os parlamentares criticaram a postura do presidente no episódio e, em referência à pandemia, asseguraram que os responsáveis vão pagar por "erros, omissões, desprezos e deboches" —sem, contudo, citar nominalmente Bolsonaro neste caso.

"A agressão do senhor presidente da República não foi apenas à jornalista Laurene, mas a todos os brasileiros que anseiam por uma resposta à tragédia que atingiu mais de 500 mil famílias desde o início da pandemia, no ano passado", diz a nota, assinada pelo presidente da CPI, senador Omar Aziz (PSD-AM), e pelo vice-presidente, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP).

"Tentar calar e agredir a imprensa é típico de fascistas e de pessoas avessas a democracia brasileira. Não chegamos a esse quadro devastador, desumano, por acaso. Há culpados e eles, no que depender da CPI, serão punidos exemplarmente", acrescenta o texto, que ainda tem entre os signatários o relator do colegiado, Renan Calheiros (MDB-AL), e mais sete senadores. São eles: Tasso Jereissati (PSDB-CE), Otto Alencar (PSD-BA), Eduardo Braga (MDB-AM), Humberto Costa (PT-PE), Alessandro Vieira (Cidadania-SE), Rogério Carvalho (PT-SE) e Eliziane Gama (Cidadania-MA).

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