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Fala de Onyx é 'criminosa' e ministro vai ser convocado pela CPI, diz Renan

"A CPI [da Covid] não vai se guiar por intimidação, provocação", disse Calheiros, em resposta à Onyx - Jefferson Rudy/Agência Senado
"A CPI [da Covid] não vai se guiar por intimidação, provocação", disse Calheiros, em resposta à Onyx Imagem: Jefferson Rudy/Agência Senado

Do UOL, em São Paulo

23/06/2021 19h53Atualizada em 23/06/2021 20h19

O relator da CPI da Covid, Renan Calheiros (MDB-AL), classificou as declarações de Onyx Lorenzoni, ministro da Secretaria-Geral da Presidência, como "criminosas". Onyx disse hoje que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) pediu que a Polícia Federal investigue o deputado Luís Miranda (DEM-DF), que denunciou suspeitas sobre a compra da vacina Covaxin.

Em entrevista à GloboNews, Calheiros disse que a fala do ministro "interfere nas investigações" e "coage testemunhas". O relator afirmou ainda que Onyx será convocado para prestar esclarecimentos à CPI.

"São fatos gravíssimos, que precisam ser apurados, investigados. (...) Essa declaração do secretário-geral da Presidência da República é uma declaração criminosa, porque interfere no Poder, interfere na investigação, coage a testemunha. Nós vamos convocá-lo, como consequência de tudo isso, e se ele continuar a coagir a testemunha, nós vamos requisitar a prisão dele. Para que essa gente entenda que é preciso respeitar a instituição da CPI", declarou Calheiros.

A CPI não vai se guiar por intimidação, provocação. Nós temos sido diariamente vítimas disso. Esta última, do secretário-Geral Onyx Lorenzoni, é um horror do ponto de vista do que tudo isso tudo significa e da maneira que eles querem intervir na investigação, coagindo a testemunha. Isso é um crime, e ele tem que ser responsabilizado por isso. A primeira responsabilização será sua convocação imediata para a CPI.
Renan Calheiros, relator da CPI da Covid

Ontem, em entrevista a O Estado de S. Paulo, Luís Miranda disse ter alertado Bolsonaro e o então ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, sobre um suposto esquema de corrupção envolvendo a compra da Covaxin. Ele explicou ter se encontrado com o presidente em 20 de março para levar a denúncia sobre o caso — um mês após o governo assinar o contrato para aquisição da vacina.

Segundo a reportagem publicada ontem pelo Estadão, documentos do Ministério das Relações Exteriores mostram que o governo comprou a Covaxin por um preço 1.000% maior do que, seis meses antes, era anunciado pela própria fabricante.

Um telegrama sigiloso da embaixada brasileira em Nova Délhi de agosto do ano passado, ao qual o jornal teve acesso, informava que o imunizante produzido pela Bharat Biotech tinha preço estimado em 100 rúpias (US$ 1,34 a dose). Em dezembro, outro comunicado diplomático dizia que o produto fabricado na Índia "custaria menos do que uma garrafa de água".

Em fevereiro deste ano, porém, o Ministério da Saúde pagou US$ 15 por unidade (R$ 80,70, na cotação da época) — a mais cara das seis vacinas compradas até agora.

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