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'Vamos lembrar dele como maior inimigo da natureza', diz Molon sobre Salles

Do UOL, em São Paulo

24/06/2021 12h36Atualizada em 24/06/2021 13h50

O deputado Alessandro Molon (PSB-RJ), líder da oposição na Câmara, disse que o ex-ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles será lembrado "como o maior inimigo da natureza" e que ele foi "o pior ministro do Meio Ambiente da história do Brasil". Alvo de investigações, Salles pediu demissão do governo de Jair Bolsonaro (sem partido) ontem.

Em entrevista ao UOL News, Molon disse que Salles teria condições de ser um bom ministro por ser uma pessoa inteligente, com formação, mas "desde o começo de sua gestão se dedicou a desmontar por dentro do ministério toda a legislação e os órgãos de controle".

"No fundo, ele olhava para o meio ambiente como um entrave para o desenvolvimento. E se dedicou muito mais a garantir os interesses daqueles que querem a destruição ambiental, numa visão ultrapassada de que isso pode trazer benesses, riqueza, uma visão atrasada de produção rural, como se o meio ambiente fosse um entrave para a produção rural. Sem proteção ambiental não há produção rural sustentável", disse.

Considero a gestão dele desastrosa, criminosa (...) Ele foi um ministro que teve sua gestão marcada pela destruição, pelo desmonte, pelo aparelhamento de órgãos ambientais para atender a interesses estranhos que não o da proteção ambiental. E não bastasse todo o mal feito à natureza, ele também contribuiu para estragar a imagem do Brasil no exterior Alessandro Molon

Joaquim Álvaro Pereira Leite, que era da Secretaria da Amazônia e Serviços Ambientais, assume a pasta. Na avaliação do parlamentar, a nomeação dele causa "grande preocupação". "Trata-se de um representante da bancada ruralista que é um setor que historicamente, lamentavelmente, vem se comportando como inimigo da proteção ambiental."

Investigações

Autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), investigação da PF (Polícia Federal) apura se Salles atuou para afrouxar o controle do Ibama sobre a exportação de madeira. Segundo as investigações, ele reuniu-se em março do ano passado com um grupo de madeireiros no Pará que vinham tendo cargas de madeira retidas em portos no exterior por falta da autorização do Ibama.

A Operação Akuanduba executou buscas e apreensões nos endereços de Salles e de outros 21 investigados, entre servidores do ministério, dirigentes do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) e empresários do ramo madeireiro.

Salles também é alvo de outro inquérito, autorizado pela ministra Cármen Lúcia no início deste mês. Trata-se da Operação Handroanthus, também da PF, que apura a suposta prática de crimes com o objetivo de dificultar a fiscalização ambiental e impedir investigação que envolva organização criminosa, além de suposto crime de advocacia administrativa (veja mais detalhes abaixo). Ele nega irregularidades nos dois casos.

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