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Salles entrega celular à PF quase 3 semanas após ser alvo de operação

Defesa do ministro do Meio Ambiente afirma que ele não teve o aparelho solicitado na Operação Akuanduba - Lula Marques
Defesa do ministro do Meio Ambiente afirma que ele não teve o aparelho solicitado na Operação Akuanduba Imagem: Lula Marques

Rafael Bragança

Do UOL, em São Paulo*

07/06/2021 17h12Atualizada em 07/06/2021 18h27

O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, entregou hoje seu celular à PF (Polícia Federal), quase três semanas após ser alvo da Operação Akuanduba, que investiga supostos crimes contra a administração pública praticados por agentes públicos e empresários do ramo madeireiro. O aparelho de Salles foi entregue à Delecor (Delegacia de Repressão a Corrupção e Crimes Financeiros), da Superintendência da PF no Distrito Federal, em Brasília.

Segundo a defesa de Salles, representada pelos advogados Fernando Augusto Fernandes e Roberto Podval, a entrega do celular não foi solicitada a Salles no dia da operação. Em 19 de maio, os policiais cumpriram mandados de busca e apreensão nos endereços residenciais do ministro em São Paulo, no endereço funcional em Brasília e no gabinete que ele montou no Pará. Já o presidente do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), Eduardo Bim, foi afastado do cargo.

As ações foram determinadas pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes, que autorizou a apreensão de celulares na operação. Além dos mandados contra Salles, Moraes também determinou a quebra dos sigilos bancário e fiscal do ministro, assim como de servidores do Ibama.

Apesar de a defesa de Salles alegar que a entrega do aparelho não foi solicitada, a emissora Globo News apurou que o ministro disse que não estava com o celular em mãos quando foi abordado pelos policiais.

Na última sexta-feira (4), Moraes consultou a PGR (Procuradoria-Geral da República) sobre a possibilidade de prisão e afastamento de Salles do cargo. A consulta foi feita após o STF receber uma notícia de fato, formalizada por uma advogada, apontando que Salles teria ocultado seu aparelho celular e depois alterado o número do telefone, conforme noticiado pelo jornal O Globo.

A notícia de fato afirma que Salles teria obstruído a Justiça com as ações, e por isso a PGR tem cinco dias para se manifestar sobre a consulta feita por Moraes.

No documento que atesta a entrega do celular, ao qual o UOL teve acesso, a defesa de Salles afirma que o ministro entregou o aparelho com o objetivo de colaborar com as investigações. Salles também se coloca à disposição para prestar esclarecimentos sobre a investigação que motivou a Operação Akuanduba.

Salles investigado

Além da investigação que resultou no cumprimento de mandados contra o ministro em maio, Salles também é investigado em outro inquérito que teve a abertura determinada pelo STF, mas este com relatoria da ministra Cármen Lúcia. Na semana passada, ela atendeu a um pedido da PGR.

A decisão se refere à Operação Handroanthus, da PF, que apura a suposta prática de crimes com o objetivo de dificultar a fiscalização ambiental e impedir investigação que envolva organização criminosa, além de suposto crime de advocacia administrativa.

A notícia-crime encaminhada pela PF ao STF em 14 de abril foi feita pelo delegado Alexandre Saraiva, ex-chefe da PF no Amazonas, que foi exonerado do cargo após acusar Salles de obstruir investigação ambiental e favorecer madeireiros investigados pela corporação.

*Com informações do Estadão Conteúdo

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