PUBLICIDADE
Topo

Reverendo Amilton apresenta atestado médico para não ir à CPI na quarta

Na foto, reverendo Amilton Gomes (à direita) ao lado do senador Flávio Bolsonaro - Reprodução
Na foto, reverendo Amilton Gomes (à direita) ao lado do senador Flávio Bolsonaro Imagem: Reprodução

Luciana Amaral

Do UOL, em Brasília

12/07/2021 12h58Atualizada em 12/07/2021 12h58

O reverendo Amilton Gomes de Paula apresentou um atestado médico para não ter que falar à CPI da Covid na próxima quarta-feira (14), conforme agendado.

Amilton preside a Senah (Secretaria Nacional de Assuntos Humanitários), que, apesar do que o nome possa levar a entender, é uma instituição privada. Até 2020, a Senah se chamava Senar (Secretaria Nacional de Assuntos Religiosos).

Segundo informações reveladas pelo "Jornal Nacional", da TV Globo, Amilton recebeu aval do diretor de Imunização do Ministério da Saúde, Lauricio Monteiro Cruz, para negociar a compra de 400 milhões de doses da vacina AstraZeneca em nome do governo brasileiro com a empresa Davati Medical Supply.

A negociação da Devati com o Ministério da Saúde entrou na mira da CPI da Covid depois que o policial militar e suposto representante da Davati, Luiz Dominghetti, relatou à "Folha de S.Paulo" um suposto esquema de corrupção na compra de 400 milhões de doses de vacinas da AstraZeneca.

Dominghetti disse que o então diretor de Logística do Ministério da Saúde, Roberto Ferreira Dias, cobrou propina de US$ 1 por dose de vacina. Em depoimento à CPI, Dias negou o pedido.

Dias confirmou aos senadores que recebeu o reverendo Amilton Gomes em uma agenda oficial para tratar sobre uma oferta para compra de vacinas. O ex-diretor, porém, não disse quem fez o pedido da agenda e nem especificou quantas doses de imunizante contra covid-19 foram ofertadas pelo reverendo.

Ele ainda não esclareceu se a oferta era de 400 milhões de vacinas da AstraZeneca, assim como a apresentada por Dominghetti.

O conteúdo do atestado apresentado por Amilton está atualmente sob sigilo, mas o portal do Senado diz que ele "informa a impossibilidade momentânea de comparecer ao depoimento agendado" para quarta.

O presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM), ainda não havia informado como procederá em relação ao atestado e ao possível adiamento da fala de Amilton até a última atualização desta reportagem.

Amanhã a CPI ouve a diretora técnica da Precisa Medicamentos, Emanuela Medradas, sobre supostos erros e irregularidades no processo intermediado pela empresa para a compra de doses da vacina indiana Covaxin pelo governo federal.

Para quinta está marcado o depoimento do ex-assessor do Departamento de Logística do Ministério da Saúde, Marcelo Blanco.

A CPI da Covid foi criada no Senado após determinação do Supremo. A comissão, formada por 11 senadores (maioria é independente ou de oposição), investiga ações e omissões do governo Bolsonaro na pandemia do coronavírus e repasses federais a estados e municípios. Tem prazo inicial (prorrogável) de 90 dias. Seu relatório final será enviado ao Ministério Público para eventuais criminalizações.