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6 meses

STF mantém quebra de sigilo de suspeito de integrar 'gabinete do ódio'

Pedido da AGU foi negado pelo ministro Lewandowski; Salles Gomes é apontado como um dos integrantes do grupo - Nelson Jr/STF
Pedido da AGU foi negado pelo ministro Lewandowski; Salles Gomes é apontado como um dos integrantes do grupo Imagem: Nelson Jr/STF

Do UOL, em São Paulo

12/07/2021 14h41Atualizada em 12/07/2021 15h14

O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Ricardo Lewandowski negou hoje um pedido da AGU (Advocacia-Geral da União) para que o sigilo telefônico e telemático de José Matheus Salles Gomes não seja quebrado.

José Matheus Salles Gomes integra a Assessoria Especial da Presidência da República e é indicado como um dos membros do "gabinete do ódio".

O "gabinete do ódio" é o termo utilizado para designar um grupo apontado por, de dentro do Palácio do Planalto e atuando especialmente nas redes sociais, gerir páginas de apoio a família do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), difundir desinformação e coordenar ataques virtuais.

A quebra dos sigilos do assessor — e de outros dois, vulgo Mateus Matos Diniz e Tercio Arnaud Tomaz — foi aprovada pela CPI da Covid, no Senado, no fim de junho.

Tercio Arnaud Tomaz é colocado com o líder do "gabinete do ódio". O inquérito aberto pela PF (Polícia Federal) sobre a atuação do grupo dá conta de que o trio foi recrutado por Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ), vereador do Rio de Janeiro e filho do presidente.

O pedido para a quebra de sigilo de Salles Gomes foi protocolado pelo relator da CPI, senador Renan Calheiros (MDB-AL). Também foi solicitado o acesso a contas bolsonaristas no Facebook, no Instagram e no Twitter.

Na justificativa para a medida, Renan Calheiros pontuou que depoimentos dados à CPI e informações colhidas pela comissão apontam que o grupo "defendia a utilização de medicação sem eficácia comprovada (contra a covid-19) e apoiava teorias como a da imunidade rebanho".

A CPI da Covid foi criada no Senado após determinação do Supremo. A comissão, formada por 11 senadores (maioria é independente ou de oposição), investiga ações e omissões do governo Bolsonaro na pandemia do coronavírus e repasses federais a estados e municípios. Tem prazo inicial (prorrogável) de 90 dias. Seu relatório final será enviado ao Ministério Público para eventuais criminalizações.