PUBLICIDADE
Topo

Conteúdo publicado há
2 meses

Diretora da Precisa pede ao STF para ter direito de não comparecer à CPI

Defesa de Medrades entrou com pedido liminar no CPI; oitiva com a diretora técnica da Precisa está agendada para amanhã - Wallace Martins/Futura Press/Estadão Conteúdo
Defesa de Medrades entrou com pedido liminar no CPI; oitiva com a diretora técnica da Precisa está agendada para amanhã Imagem: Wallace Martins/Futura Press/Estadão Conteúdo

Do UOL, em São Paulo

12/07/2021 12h37Atualizada em 12/07/2021 13h54

A defesa da diretora técnica da Precisa Medicamentos, Emanuela Medrades, pediu ao STF (Supremo Tribunal Federal) para que a dirigente tenha o direito de não comparecer à CPI da Covid.

A participação dela na CPI está agendada para amanhã. Os advogados pediram ainda que, caso a diretora tenha que comparecer, ela possa ter assegurado o direito ao silêncio, de não ser submetida ao compromisso de dizer a verdade e de ausentar-se do depoimento, caso julgue conveniente.

Medrades foi quem representou a Precisa Medicamentos em uma reunião com a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) sobre a vacina Covaxin, do laboratório indiano Bharat Biotech, em janeiro.

A Precisa atua como representante da Bharat Biotech no Brasil no tocante a processos envolvendo a Covaxin. A compra de 20 milhões de doses do imunizante indiano contra a covid-19 por parte do Ministério da Saúde está sendo investigada pela CPI da Covid.

No fim de junho, em depoimento à CPI, os irmãos Miranda — deputado federal Luis Miranda (DEM-DF) e Luis Ricardo Miranda, servidor do Ministério da Saúde — relataram indícios de irregularidades na aquisição da Covaxin, com pressão atípica para a importação do imunizante.

Na oitiva, o deputado relatou que se reuniu com Jair Bolsonaro (sem partido) para apresentar as suspeitas que tinha e, no encontro, o presidente citou o nome do líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR) — que nega as acusações —, utilizando ainda a palavra "rolo".

Hoje, a PF (Polícia Federal) abriu inquérito para apurar se Bolsonaro prevaricou ao receber as denúncias do servidor e do deputado e não dar prosseguimento a elas. Segundo Luis Miranda, o presidente disse que levaria a questão ao órgão policial.

A Covaxin é a vacina mais cara comprada pelo governo federal, saindo por US$ 15 a dose — e, por isso, o MPF (Ministério Público Federal) apura suspeitas de superfaturamento no contrato.

A CPI da Covid foi criada no Senado após determinação do Supremo. A comissão, formada por 11 senadores (maioria é independente ou de oposição), investiga ações e omissões do governo Bolsonaro na pandemia do coronavírus e repasses federais a estados e municípios. Tem prazo inicial (prorrogável) de 90 dias. Seu relatório final será enviado ao Ministério Público para eventuais criminalizações.