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6 meses

Propina e negociação com ministério; as frases do representante da Davati

Representante da Davati no Brasil, Cristiano Carvalho, presta depoimento na CPI da Covid - Pedro França/Agência Senado
Representante da Davati no Brasil, Cristiano Carvalho, presta depoimento na CPI da Covid Imagem: Pedro França/Agência Senado

Do UOL, em São Paulo

15/07/2021 12h28Atualizada em 15/07/2021 16h21

A CPI da Covid ouve hoje Cristiano Carvalho, representante no Brasil da empresa americana de produtos hospitalares Davati Medical Supply, que propôs a venda de 400 milhões de doses da vacina da AstraZeneca ao governo federal.

O depoimento acontece após relato de pedido de propina por ex-integrantes do Ministério da Saúde na negociação.

Cristiano tinha a seu favor um habeas corpus concedido pelo presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Luiz Fux, que lhe garante o direito de ficar em silêncio diante de perguntas que possam incriminá-lo.

Apesar disso, o representante da Davati respondeu às perguntas dos senadores e comentou sobre o suposto pedido de propina de US$ 1 por dose de vacina feito pelo ex-diretor de logística do Ministério da Saúde Roberto Dias ao cabo da Polícia Militar de Minas Gerais Luiz Paulo Dominghetti e as negociações da Davati com a pasta.

Veja a seguir algumas frases de Cristiano Carvalho na CPI da Covid:

Pedido de propina

Atuei só como vendedor no Brasil. Não compactei com nenhum tipo de medida, pedido de propina, não presenciei e não tenho nada para falar a respeito disso.

Vínculo com a Davati e Dominghetti

Não tenho vínculo empregatício [com a Davati]. Foi dito aqui na CPI que eu seria CEO na empresa, que nem tem CEO ou representação aqui no Brasil. A Davati, através de um amigo, pediu para que eu intermediasse a relação com o Ministério da Saúde e o senhor Dominghetti.

[As falas de Dominghetti] são fantasiosas. A própria empresa desmentiu em nota oficial. Como a gente pôde acompanhar através da imprensa existem coisas fantasiosas, se criou um folclore sobre as pessoas envolvidas. Talvez ele não tenha feito por mal, mas não me apresentei a ele como CEO.

Negociações com o Ministério da Saúde

Eu nunca enviei nenhuma proposta de preço nem proposta de compra e venda. Elas sempre foram enviadas através do escritório central da empresa nos Estados Unidos. Eu não tinha influência de preço, só fazia a relação comercial entre Brasil e Estados Unidos, passando às necessidades expostas por interlocutores locais.

Fui alçado a posto que eu não tinha numa situação bem complicada. Eu nunca entrei em contato com o Ministério da Saúde, o Ministério da Saúde que me procurou através do Roberto Ferreira Dias.

Dada a insistência das pessoas em me procurar, vi como oportunidade de fazer um bom trabalho e de ser remunerado por isso. [Recebi contatos] tanto por Dominghetti quanto por representantes do Ministério da Saúde.

Áudio de Luis Miranda divulgado por Dominghetti

Eu acredito que ele foi ingênuo no trato com a reprodução do áudio. Acho que ele sequer escutou o áudio até o fim para formar juízo dele. Acredito que ele não fez de má-fé. Pelo pouco que eu conheço, não faz parte do caráter dele. É uma pessoa correta. Acredito que ele foi mal orientado ou induzido por alguém que não fui eu.

Recebimento do auxílio emergencial em 2020

Uma colega minha, que eu conheço, me cadastrou no site do auxílio, e eu passei a receber depois de alguns meses.

Eu vou retificar a informação e dizer que fui eu mesmo que fiz [o cadastro para receber o auxílio emergencial]. Estou sendo colocado em uma situação constrangedora. No momento eu precisava, não me orgulho disso.


Sobre chamar Coronel Marcelo Blanco de 'fdp'

Peço desculpas aí aos senhores, por ter mencionado um servidor público dessa forma [fdp], mas foi a sensação que eu tive por ter mais uma pessoa no negócio que não havia necessidade. Ele já não era mais um servidor público desde janeiro, né, porém a impressão que me deu foi que ele continuava assessorando o Roberto Dias

'Comissionamento' do grupo de Blanco


A informação que veio a mim, vale ressaltar isso, não foi o nome propina. Ele [Dominghetti] usou comissionamento. Ele se referiu a esse comissionamento sendo do grupo do tenente-coronel Blanco e da pessoa que o tinha apresentado ao Blanco, que é de nome Odilon.

A CPI da Covid foi criada no Senado após determinação do Supremo. A comissão, formada por 11 senadores (maioria é independente ou de oposição), investiga ações e omissões do governo Bolsonaro na pandemia do coronavírus e repasses federais a estados e municípios. Tem prazo inicial (prorrogável) de 90 dias. Seu relatório final será enviado ao Ministério Público para eventuais criminalizações.