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Cúpula da Precisa decide ir à Índia para tentar retomar acordo com a Bharat

16.jan.2021 - O Ministro da Saúde da Índia, Harsh Vardhan, segura uma dose da vacina Covaxin - REUTERS / Adnan Abidi
16.jan.2021 - O Ministro da Saúde da Índia, Harsh Vardhan, segura uma dose da vacina Covaxin Imagem: REUTERS / Adnan Abidi

Rafael Neves

Do UOL, em Brasília

23/07/2021 14h24Atualizada em 23/07/2021 15h34

O dono da Precisa Medicamentos, Francisco Maximiano, e a diretora-executiva da empresa, Emanuela Medrades, devem viajar à Índia para se reunir com a diretoria da Bharat Biotech na próxima quarta-feira (28). O objetivo é tentar reverter a decisão do laboratório indiano, fabricante da vacina Covaxin, de extinguir o acordo com a representante brasileira para importação do imunizante.

O acordo foi rompido após a Bharat ter negado, em nota, a autenticidade de dois documentos enviados pela Precisa ao Ministério da Saúde. As cartas foram supostamente assinadas pelo diretor-executivo da Bharat, Krishna Mohan Vadrevu, mas o fabricante indiano nega a autoria dos documentos.

Segundo apurou o UOL, a Precisa pretende apresentar uma perícia sobre os documentos, alegando que as alterações não foram feitas pela representante brasileira, e sim pela Envixia Pharmaceuticals, uma empresa dos Emirados Árabes Unidos. Segundo Medrades disse à CPI da Covid, no último dia 14, a Envixia atuou como um broker [corretor] indicado pela Bharat para fazer a ponte com a Precisa.

Oficialmente, a Precisa não cita a viagem à Índia e nem a perícia sobre os documentos. A empresa afirma, contudo, que "jamais praticou qualquer ilegalidade e reitera seu compromisso com a integridade nos processos de venda, aprovação e importação da vacina Covaxin".

O UOL procurou a Envixia por meio de um email para contato, mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem. Assim que houver manifestação, ela será incluída no texto.

Os documentos

Conforme apuração do UOL, ambos os documentos com indícios de fraude são datados de 19 de fevereiro deste ano, seis dias antes da assinatura do contrato com o governo para importação das 20 milhões de doses da Covaxin. O contrato foi suspenso pelo governo no dia 29 de junho, após as tratativas entrarem na mira da CPI da Covid.

Um dos documentos sob suspeita é uma "Declaração de Inexistência de Fatos Impeditivos" por parte da Bharat Biotech, emitido a partir de um pedido feito pelo Ministério da Saúde à Precisa para avançar na negociação. A declaração, que a Bharat não reconhece como sua, traz inclusive dados pessoais do diretor-executivo do laboratório.

Já o segundo documento, também não reconhecido pela Bharat, é uma autorização do laboratório para que a Precisa seja o "representante legal e exclusivo" do fabricante indiano no Brasil.

"Ao Ministério da Saúde do Brasil, Nós da Bharat Biotech Limited International (...) autorizamos a: Precisa Comercialização de Medicamentos Ltda (...) para ser nosso representante legal e exclusivo no Brasil com poder de receber todas as notificações do Governo, sendo responsável administrativamente e judicialmente por meio de sua legislação nacional", diz um trecho do texto.

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