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Conteúdo publicado há
10 meses

Kennedy: suspensão de contrato é tentativa de 'limpar a barra' de Bolsonaro

Colaboração para o UOL

29/06/2021 18h33Atualizada em 29/06/2021 19h56

Para o colunista do UOL Kennedy Alencar, a suspensão do contrato da vacina indiana Covaxin é uma tentativa de "limpar a barra" do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Na avaliação de Kennedy, a estratégia é "frágil".

"Essa decisão faz parte de uma tentativa de 'limpar a barra' do presidente da República. É uma tentativa frágil de evitar que Bolsonaro seja acusado de prevaricação", disse, em participação no UOL News.

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, anunciou hoje a suspensão do contrato para compra de 20 milhões de doses da Covaxin. O acordo feito com a Precisa Medicamentos, representante no Brasil do laboratório indiano Bharat Biotech, foi temporariamente cancelado após suspeitas de irregularidades e suposta corrupção.

A CGU (Controladoria-Geral da União) terá pelo menos 10 dias para analisar o caso.

A decisão acontece um dia após três senadores apresentarem uma notícia-crime contra Bolsonaro no STF (Supremo Tribunal Federal) pelo crime de prevaricação. O pedido é para que a PGR (Procuradoria-geral da República) investigue se o presidente "optou por não investigar o suposto esquema de corrupção levado a seu conhecimento" pelo deputado Luis Miranda (DEM-DF).

Em depoimento à CPI da Covid, o deputado disse que Bolsonaro prometeu acionar a Policia Federal. "Como ele não fez isso, como ele prevaricou, agora o governo criou essa versão fantasiosa", disse Kennedy.

Para o colunista do UOL, é possível que a CGU analise o caso e conclua que não há erro, mas que o ministro da Saúde opte por não dar prosseguimento à compra da Covaxin porque "não cumpriu o prazo contratual de entrega".

Depoimento de Wizard pode mostrar presidente "corrupto"

Kennedy Alencar avaliou, também, que o depoimento do empresário Carlos Wizard, marcado para amanhã, será muito importante para juntar elementos capazes de acusar o presidente Jair Bolsonaro de "ser responsável por uma estratégia que matou mais gente e fez mais gente adoecer no Brasil".

Wizard é apontado pela CPI da Covid como um dos integrantes do "gabinete paralelo" - grupo que aconselhava o presidente durante a pandemia. A suspeita é que o aconselhamento tenha priorizado medidas não científicas no combate à pandemia de covid-19.

"A partir do caso da Covaxin e do que a gente está vendo agora, a CPI foi por um outro caminho no qual o Wizard também pode estar envolvido em uma negociação de vacinas na China que seja inadequada, suspeita, como é da Covaxin", opinou.

Para Kennedy, por ser próximo ao presidente e do governo, há uma expectativa muito grande que, por esse depoimento, "se consigam mais provas".

"Além da questão do 'genocida', como o presidente tem sido chamado, poder se fortalecer o epíteto de 'corrupto'", disse.

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