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Conteúdo publicado há
5 meses

Bolsonaro reclama de dificuldade para governar e diz que 'tudo tem limite'

Do UOL, em São Paulo

27/08/2021 09h44Atualizada em 27/08/2021 13h51

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) disse hoje que "tudo tem um limite" ao se queixar com apoiadores de "interferências" que julga atrapalharem seu governo. Na conversa, Bolsonaro ainda disse que sente sua vida em risco e voltou a fazer ataques à CPI da Covid, ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) e do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e a adversários políticos.

Em outro momento, Bolsonaro foi questionado por um apoiador se era hora de "parar de brigar no meio das quatro linhas" e partir para o "nocaute". A pergunta se referia a uma expressão utilizada com frequência pelo presidente, de que atua "dentro das quatro linhas da Constituição".

"Tem ferramenta lá dentro para ganhar a guerra. Tem gente que está do lado de fora", respondeu Bolsonaro, dando a entender que as "ferramentas" consideradas por ele estão dentro da Constituição.

Na sequência, ele disse que é "difícil governar o país" e que não pretende interferir em outros poderes, mas que tudo "tem um limite". Ele não disse qual seria o limite e o que pretende fazer caso ele seja atingido.

"Difícil governar o país desta maneira. O único dos poderes que é vigiado o tempo todo e cobrado sou eu. O que acontece para o lado de lá não tem problema nenhum. Eu não quero interferir para o lado de lá nem vou. Agora tem que deixar trabalhar do lado de cá", disse.

"Quando a gente fala de preço de combustível, preço do gás, podia estar metade do valor. Não tem como ir para frente, é lobby, interferência o tempo todo. Não estou reclamando não, mas tudo tem um limite. Onde vou estar? Onde vocês tiverem", disse.

Bolsonaro ainda disse que se preocupa com a sua segurança. "Pessoal tem que saber o que está acontecendo. Não é vamos lá... tem que ver o que está em risco. O que está em risco aí, o futuro de vocês e a minha vida física. Por que aquela van está parada aqui, para evitar o sniper [atirador] de lá. É o tempo todo essa preocupação do que pode acontecer", disse.

Estão dizendo que quero dar golpe. São idiotas, já sou presidente
Jair Bolsonaro, presidente da República

Críticas à CPI e a ministros do TSE e STF

Na conversa, Bolsonaro ainda voltou à carga contra a CPI da Covid, dizendo que ela tenta rotulá-lo de corrupto. "Não vou responder com o palavrão adequado porque tem muita mulher aqui".

Sem citar nomes, ele ainda disse que não pode "um ou dois caras destruírem a democracia no Brasil", mas se referiu a decisões do ministro Alexandre Moraes, do STF, e Luis Felipe Salomão, do TSE.

"Começam a prender na base do 'canetaço', bloquear redes sociais e agora o câncer já foi lá para o TSE. Tem um cara que manda desmonetizar as coisas. Tem que colocar um ponto final nisso", disse.

Na fala, Bolsonaro referiu-se à determinação do corregedor-geral do TSE, ministro Luís Felipe Salomão, para que plataformas digitais parem de remunerar canais e perfis que, segundo a decisão judicial, disseminam informações falsas sobre as eleições no Brasil. A medida atingiu em sua maioria canais bolsonaristas.

Por fim, Bolsonaro criticou adversários políticos, fazendo referência direta ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a Fernando Haddad, derrotado por ele no segundo turno das eleições presidenciais de 2018.

"O que fico feliz é que não está um canalha no meu lugar, se a facada tivesse certo vocês sabem quem estaria", disse, referindo-se à facada que sofreu durante a campanha eleitoral.

Sobre Lula, Bolsonaro reclamou de uma declaração recente o comparando com o presidente Nicolás Maduro, da Venezuela. "O próprio Lula disse que eu sou pior do que Maduro", disse, antes de falar um palavrão. "Se eu sou pior que Maduro, aquele regime é bom então", disse.

O presidente ainda disse que "poucas pessoas de um poder ou outro" estão querendo colaborar para a volta de Lula, a quem chamou de "bandido".

O governo Bolsonaro teve início em 1º de janeiro de 2019, com a posse do presidente Jair Bolsonaro (então no PSL) e de seu vice-presidente, o general Hamilton Mourão (PRTB). Ao longo de seu mandato, Bolsonaro saiu do PSL e ficou sem partido. Os ministérios contam com alta participação de militares. Bolsonaro coloca seu alinhamento político à direita e entre os conservadores nos costumes.