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Buscas por farda disparam dias antes das manifestações do 7 de Setembro

Getty Images
Imagem: Getty Images

Carolina Marins

Do UOL, em São Paulo

31/08/2021 21h06Atualizada em 31/08/2021 21h06

As buscas por uniformes militares nas ferramentas de pesquisa aumentaram 1.000% nos últimos 28 dias, em comparação com o mesmo período em 2020. O aumento ocorre dias antes das manifestações do 7 de Setembro em apoio ao governo. Os dados são da ferramenta Think with Google.

O termo "uniforme militar" aparece em terceiro nas tendências em ascensão no varejo, atrás apenas de "produtos químicos de laboratório" e "barcos a motor". Dentro das buscas por uniformes também estão os termos: "farda" e "loja militar".

Segundo o Google, a ferramenta analisa as categorias do varejo que estão despertando mais interesse nas pesquisas na internet. Os dados são atualizados diariamente e analisam um período de 28 dias em comparação com os mesmos 28 dias do ano anterior. Porém, não há números absolutos, apenas tendências de buscas.

O estado de São Paulo concentra as maiores buscas por uniformes militares, seguido por Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Bahia.

A disparada nas buscas ocorre ao mesmo tempo em que as bases bolsonaristas se preparam para as manifestações planejadas para o 7 de Setembro, feriado do Dia da Independência no Brasil.

Utilizar indevidamente uma farda militar, no entanto, é crime. Segundo o artigo 172 do Código Penal Militar, um civil utilizar "uniforme, distintivo ou insígnia militar a que não tenha direito" pode render pena de até seis meses de detenção. Se caso um militar fizer estes usos indevidos, a pena é de seis meses a um ano.

Fotografia para o mundo

O próprio presidente Jair Bolsonaro (sem partido) infla seus apoiadores a participarem dos atos como "fotografia para o mundo". Ele discursou hoje para simpatizantes em Uberlândia (MG), onde participou de cerimônia de inauguração de um complexo de captação e tratamento de água.

"Nós daremos retrato para o Brasil e para o mundo dizendo para onde esse país irá. Esse país irá para onde vocês apontarem. Vocês estarão mostrando no próximo dia 7 que quem manda no Brasil são vocês. Nós temos a obrigação de fazer aquilo que vocês determinam", afirmou.

Em São Paulo, os atos a favor do presidente ocorrerão na avenida Paulista, a partir das 11h. Simultaneamente ocorrerão atos contra Bolsonaro, o que causava apreensão devido a possíveis confrontos entre os grupos. A Polícia Militar informou que o ato do Grito dos Excluídos e dos movimentos que vão protestar contra o governo serão no Vale do Anhangabaú, no centro da cidade.

Será proibido o porte de armas de fogo, armas brancas, bastões, fogos de artifício, drones e outros itens que possam causar danos a outras pessoas.

Nas redes, militantes incentivam a participação das forças policiais nos atos. Mesmo sendo proibido, deputados militares também têm apoiado a participação de PMs, impondo um desafio aos estados.

Um coronel da PM-SP foi afastado semana passada após postagem no Facebook que criticava o governador João Doria (PSDB) e o STF (Supremo Tribunal Federal), algo proibido pela corporação. O episódio, no entanto, tem sido utilizado pelas bases bolsonaristas para incentivar a participação dos militares no ato.

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