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8 meses

Bolsonaro usa tom conciliador com China: 'essencial na produção de vacinas'

Do UOL, em São Paulo

09/09/2021 09h48Atualizada em 09/09/2021 11h09

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) adotou um tom conciliador ao tratar da China em encontro virtual da cúpula do BRICS e disse que o país foi essencial para a gestão da pandemia do novo coronavírus no Brasil, em especial pela produção de insumos para vacinas contra a covid-19.

A fala de Bolsonaro destoa de sua postura e de integrantes do governo ao longo da pandemia, quando a China era alvo de críticas diretas de ministros como o da Educação, Abraham Weintraub, e das Relações Exteriores, Ernesto Araújo. Ambos já deixaram o governo.

"Essa parceria tem se mostrado essencial para a gestão adequada da pandemia no Brasil, tendo em vista que que parcela expressiva das vacinas oferecidas à população brasileira são produzidas com insumos originários da China", disse Bolsonaro ao se referir à China durante discurso no qual falou sobre parcerias bilaterais com os outros integrantes do BRICS: Índia, Rússia e África do Sul.

Ao longo da pandemia, os principais ataques de Bolsonaro à China ocorreram por meio de críticas às vacinas produzidas no país, justamente o ponto em que fez elogios hoje em seu discurso.

O alvo preferencial de Bolsonaro era a CoronaVac, produzida em parceria do instituto Butantan, ligado ao Governo de São Paulo, e o laboratório chinês Sinovac. O presidente tentou desacreditar o imunizante, o chamando de 'vacina chinesa do Doria", em referência também ao seu adversário João Doria (PSDB), governador de São Paulo.

Além da CoronaVac, a vacina desenvolvida pela AstraZeneca e produzida no Brasil pela Fiocruz também depende de insumos chineses para a sua fabricação.

A 13ª Cúpula do BRICS, grupo formado Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, é realizada por encontro virtual a partir de Nova Deli, na Índia, país que ocupa a presidência do bloco em 2021. Este foi a primeira participação de Bolsonaro em reunião do bloco desde que Carlos França assumiu o ministério das Relações Exteriores no lugar de Ernesto Araújo.

Dirigindo-se ao presidente chinês Xi Jinping, Bolsonaro ainda lembrou o último encontro pessoal entre eles em 2019, durante reunião do BRICS realizada no Brasil. "Discutimos temas da parceria estratégica global entre nossos dois países, bem como o bom estado de nossas relações bilaterais nas mais diversas vertentes, mais especialmente no âmbito comercial de investimento", disse.

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No discurso, Bolsonaro também não fez referências a outro ponto que causou atrito com a China em maio deste ano, quando durante um discurso no Planalto o presidente insinuou, sem indícios, que o coronavírus poderia ter sido criado de maneira proposital no país.

Na ocasião, a fala do presidente gerou forte reação de governadores, uma vez que o Brasil dependia da chegada de insumos da China para a produção de vacinas. O país asiático se manifestou na época, dizendo que se opunha à tentativa de politizar a pandemia.

Em outro incidente que ganhou contornos de crise diplomática, o então ministro da Educação, Abraham Weintraub usou a linguagem característica do personagem Cebolinha, da Turma da Mônica, para insinuar que a pandemia do novo coronavírus era benéfica à China em uma postagem em 2020. O embaixador da China no Brasil, Yang Wanming, pediu retratação de Weintraub, que foi acusado de racismo.

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