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Deputados do PSL entrarão com pedido de habeas corpus a favor de Zé Trovão

Líder da bancada do PSL na Câmara, deputado Major Vitor Hugo (GO) - Pablo Valadares/Câmara dos Deputados
Líder da bancada do PSL na Câmara, deputado Major Vitor Hugo (GO) Imagem: Pablo Valadares/Câmara dos Deputados

Luciana Amaral

Do UOL, em Brasília

09/09/2021 15h48Atualizada em 09/09/2021 16h30

Deputados federais do PSL que apoiam o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) anunciaram hoje que vão entrar com um pedido de habeas corpus no STF (Supremo Tribunal Federal) a favor do caminhoneiro bolsonarista Marcos Antônio Pereira Gomes, conhecido como Zé Trovão.

Zé Trovão teve a prisão solicitada pela PGR (Procuradoria-Geral da República) e determinada pelo ministro do STF Alexandre de Moraes na última sexta-feira (3). Ele é acusado de promover a incitação de atos violentos contra o Congresso Nacional e o Supremo por meio das redes sociais e teria descumprido ordens cautelares determinadas anteriormente por Moraes.

A defesa de Zé Trovão informou que ele está no México e vai se entregar às autoridades locais.

Mesmo foragido, Zé Trovão continua gravando vídeos contra o Supremo. Nos vídeos, ele pede que caminhoneiros bloqueiem rodovias e que empresários fechem as empresas para "irem às ruas" e "salvar nosso Brasil". Ele nega apoiar Bolsonaro, mas, proteger a "família brasileira" e os "bons costumes".

"Vamos impetrar um habeas corpus - eu, a deputada Carla [Zambelli] e o deputado Bibo [Nunes] e mais os deputados do PSL que estiverem em Brasília e quiserem aderir o mais rapidamente possível - para garantir a liberdade do Zé Trovão", declarou o líder do PSL na Câmara, Major Vitor Hugo (GO), após reunião de Bolsonaro e do ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, com caminhoneiros no Palácio do Planalto.

"É um gesto que faremos esperando que os outros componentes da Praça dos Três Poderes também façam gestos em prol da pacificação e da harmonia necessária entre os Poderes. Para que haja autocontenção dos Poderes em face das atribuições dos demais", acrescentou.

Segundo Carla Zambelli (PSL-SP), o presidente Bolsonaro ouviu os caminhoneiros e "externou preocupação com os mais vulneráveis" devido à paralisação de parte da categoria pelo país. Segundo a deputada, nos atos de 7 de setembro, os caminhoneiros pediram "liberdade, respeito à Constituição e [foram] contra a censura".

Houve, porém, registros de pedidos de pautas antidemocráticas e que afrontam a Constituição, como a "imediata destituição" dos ministros do STF.

Até hoje, parte dos caminhoneiros está acampada na Esplanada dos Ministérios. O grupo quer ser atendido pelo presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), para que tratem de pautas contra ministros do Supremo. Isso porque o presidente do Senado é o responsável por dar andamento ou não a pedidos de impeachment contra ministros da Corte.

Em 25 de agosto, Pacheco rejeitou pedido de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes feito por Bolsonaro.

Representantes dos caminhoneiros que estiveram na reunião no Planalto negaram que Bolsonaro tenha lhes pedido para desmobilizar bloqueios em estradas e o acampamento na Esplanada. No entanto, ontem mesmo Bolsonaro fez circular em aplicativos de mensagens áudio em que pede que caminhoneiros liberem rodovias.

O ministro Tarcísio de Freitas gravou vídeo para confirmar a autenticidade do áudio e reforçou o pedido. Nos bastidores, o governo teme que a paralisação afete ainda mais a economia, com desabastecimento e aumento da inflação, por exemplo.

"A gente não pode tentar resolver um problema criando outro", disse Tarcísio no vídeo.

Em princípio, o ministro não deve se pronunciar sobre a reunião de hoje.

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