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Dino rebate Bolsonaro e diz que ataque a governadores na ONU é desleal

DO UOL, em São Paulo

21/09/2021 11h38Atualizada em 21/09/2021 15h04

O governador do Maranhão, Flávio Dino (PSB), disse hoje que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) foi desleal ao usar um trecho do discurso na Assembleia-Geral da ONU (Organização das Nações Unidas) para criticar governadores e prefeitos pela gestão na pandemia do novo coronavírus.

Em sua fala, Bolsonaro voltou a criticar as medidas de distanciamento social adotadas por gestores locais, ignorando que elas foram respaldadas pela grande maioria da comunidade médica e científica de todo mundo como forma efetiva de evitar a disseminação do novo coronavírus.

"Muita deslealdade de um chefe de Estado usar a tribuna da ONU para atacar governadores e prefeitos do seu país. E para insistir em mentiras sobre a pandemia. Esse é o Bolsonaro 'moderado'?", questionou Dino.

Desde o início da pandemia, Bolsonaro tem atacado governadores e prefeitos, dizendo que as medidas de combate à pandemia prejudicaram a economia. O presidente também tenta se eximir de culpa distorcendo uma decisão do STF (Supremo Tribunal Federal), que julgou concorrente a competência de todos entes na questão sanitária. Bolsonaro mente ao dizer que o Supremo tirou seu poder de agir na pandemia.

No discurso de hoje na ONU, Bolsonaro disse que as pessoas mais humildes do Brasil foram "obrigadas a ficar em casa por decisão de governadores e prefeitos", o que prejudicou a renda. Porém, países de todo o mundo adotaram políticas parecidas nos momentos mais críticos da pandemia.

Segundo Flávio Dino, Bolsonaro quer o Brasil isolado e o discurso de hoje é prejudicial para a economia e imagem do Brasil.

"Bolsonaro foi para a ONU fazer discurso de "cercadinho", recheado de fake news e de agressões. Ele realmente quer o Brasil como "pária internacional", isolado e sem voz ativa no mundo. Imenso prejuízo para a nossa economia e para a imagem do Brasil", disse Dino.

Mais críticas

Governador do Piauí, Wellington Dias (PT) também criticou Bolsonaro por seu discurso na ONU — especificamente, pelos novos ataques a governadores e prefeitos que adotaram medidas restritivas para conter o avanço da pandemia, seguindo o que diz a ciência.

Em vídeo divulgado por sua assessoria, Dias pregou união e reforçou que a busca por salvar vidas deve estar sempre em primeiro lugar.

"Que presidente de um país, do Brasil ou de outros países, ao longo da história, foi à ONU para colocar a culpa, a responsabilidade, para fazer crítica ao seu próprio país? Nós somos uma Federação, e governadores e prefeitos do Brasil seguimos a ciência, e vamos seguir a ciência", afirmou o governador.

Aqui, não tivemos nenhuma dúvida: com muita coragem e determinação, buscamos contribuir para salvar vidas. A vida em primeiro lugar, um pacto pela vida. Era isso que queríamos do presidente da República, e agora ele vai à ONU para colocar a responsabilidade pela situação social e econômica, resultado da pandemia, em quem? Em quem aqui trabalhou duro para salvar vidas.
Wellington Dias, governador do PI