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15 dias

7 de setembro foi o sepultamento do golpismo, diz Barroso

Luís Roberto Barroso em entrevista à revista Veja; 7 de setembro foi visto como um teste pelo ministro do STF - Reprodução/Veja
Luís Roberto Barroso em entrevista à revista Veja; 7 de setembro foi visto como um teste pelo ministro do STF Imagem: Reprodução/Veja

Do UOL, em São Paulo

28/09/2021 10h11Atualizada em 28/09/2021 10h43

O ministro Luís Roberto Barroso, do STF (Supremo Tribunal Federal), disse que as manifestações de caráter golpista do dia 7 de setembro foram um teste para a democracia e as instituições saíram vencedoras.

Em entrevista ao programa Amarelas On Air, da revista Veja, Barroso disse que o anseio golpista da mobilização foi freado pela postura de agentes que agiram dentro da legalidade e impediram qualquer avanço para uma eventual ruptura.

"Acho que 7 de setembro foi um teste para as instituições dos dois lados. De um lado, um sentimento golpista de mobilização contra o Congresso e Supremo e felizmente numa demonstração de maturidade institucional brasileira", disse.

Em outro trecho da entrevista, o ministro do STF falou de momentos antes do 7 de setembro em que existiu uma desconfiança sobre o que poderiam ser os atos. "Três momentos me trouxeram uma preocupação institucional: primeiro a manifestação na porta do QG do Exército, depois desfile de tanques na praça dos 3 Poderes e depois o 7 de setembro, mas curiosamente o 7 de setembro foi o sepultamento do golpismo. Não há força, a sociedade brasileira não aceita, a instituição militar não aceita, as PMs não aderiram".

Na avaliação de Barroso, alguns fatores contribuíram para que o movimento de 7 de setembro não atingisse objetivos golpistas. "Primeiro porque apareceu menos gente do que se difundia. Mas sobretudo as PMs se comportaram dentro da legalidade constitucional e as Forças Armadas não moveram uma palha de sinalização contra a ruptura institucional", disse.

Vi muita gente voltando para casa decepcionado com o 7 de setembro. Acho que ali foi um teste e as instituições venceram, e acho que parte do refluxo do discurso se deve à constatação de falta de apoio para ir jogar fora da legalidade constitucional.
Luís Roberto Barroso, ministro do STF

Ao falar em "refluxo do discurso", Barroso faz um referência à postura do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que dois dias depois de participar das manifestações e fazer discursos golpistas, publicou uma carta recuando.

O ministro disse que não tem como avaliar as reais intenções de Bolsonaro, mas que o caráter golpista dos atos era claro.

"Houve um temor de que viesse alguma coisa muito ruim. Não veio. E acho que esse foi o sepultamento das veleidades golpistas. Se o presidente tinha ou não essa veleidade é para os analistas, mas que muita gente participou desse processo com expectativa de quebra de institucionalidade é um fato", disse.

Ainda para Barroso, o STF e o Congresso Nacional tiveram um papel decisivo na preservação das instituições democráticas brasileiras.

"A reação do Congresso e do Supremo deu um reforço à sustentação da democracia brasileira ao lado da imprensa independente livre e de uma sociedade civil mobilizada", disse.

Recuo de Bolsonaro

Barroso ainda disse que torce para que o recuo ensaiado por Bolsonaro após o dia 7 de setembro seja verdadeiro. Porém, ele espera mais tempo para ter uma posição definitiva.

"Quero acreditar que seja verdade, mas o melhor senhor dos fatos e o tempo. Portanto, não gosto de julgar nada no calor dos acontecimentos, vamos esperar um pouco, mas torço para que seja verdadeiro", disse.

Atacado de forma constantes por Bolsonaro, Barroso afirmou que limita as respostas para questões institucionais, embora ache nocivo a agressividade do discurso do presidente.

"Eu não considerei ir adiante como ideia de processo criminal (contra ataques pessoais), embora ache que a falta de compostura de um chefe de Estado faz mal para todo o País. Ele é um líder eleito com 58 milhões de votos. Se ele acha que pode destilar ódio, muitas pessoas se impressionam com isso", disse.

"O que é institucional eu respondia imediatamente, porque a democracia, a criação e a preservação da democracia, foram as causas da minha geração, e portanto com isso não transijo. O que alguém acha de mim não me diz respeito, eu sigo meu caminho, não paro para bater boca, não me distraio com bobagem, vivo para fazer um país melhor e maior", completou.

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