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Política

Bolsonaro ataca STF e chama Moraes de canalha em atos golpistas em SP e DF

Do UOL, em São Paulo*

07/09/2021 09h18Atualizada em 07/09/2021 18h57

Com manifestações golpistas, pedindo o fechamento do STF (Supremo Tribunal Federal) e contra o Congresso, o ato favorável ao governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, reuniu milhares de apoiadores na manhã de hoje (7). O presidente participou do ato, com discurso também abertamente golpista, em que ameaçou o presidente do STF, Luiz Fux:

Ou o chefe desse Poder enquadra os seus ou esse Poder pode sofrer aquilo que não queremos. Porque nós valorizamos e reconhecemos o Poder de cada República. Nós todos aqui na Praça dos Três Poderes juramos respeitar a nossa Constituição. Quem age fora dela se enquadra ou pede para sair.

drone - DIDA SAMPAIO/ESTADÃO CONTEÚDO - DIDA SAMPAIO/ESTADÃO CONTEÚDO
7.set.2021 - Vista aérea da Esplanada dos Ministérios, em Brasília, durante ato de apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (sem partido)
Imagem: DIDA SAMPAIO/ESTADÃO CONTEÚDO

No começo da manhã, manifestantes avançaram sobre bloqueio da PM (Polícia Militar) na altura da Praça dos Três Poderes. Eles tentaram tirar as grades que limitam o acesso até a região, que é sede dos três Poderes, e afirmaram que "vieram para guerra e não fazer carnaval". Os policiais reagiram e usaram spray de pimenta para dispersar os participantes.

Protesto a favor de Bolsonaro - DIDA SAMPAIO/ESTADÃO CONTEÚDO - DIDA SAMPAIO/ESTADÃO CONTEÚDO
7.set.2021 - Apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) derrubam cercas de proteção com o intuito de invadir a área próxima aos prédios do Congresso Nacional e do STF
Imagem: DIDA SAMPAIO/ESTADÃO CONTEÚDO

A região concentrava apoiadores do governo desde a noite de ontem (6), quando, sem qualquer sinal de oposição da Polícia Militar do Distrito Federal, atravessaram bloqueio prévio, na altura da Biblioteca Nacional.

Hoje, houve uma barreira neste ponto, mas sem uma efetiva revista da Polícia Militar. Dessa forma, o público pôde entrar com objetos proibidos na Esplanada. A reportagem do UOL flagrou alguns manifestantes com bebida alcoólica. A maioria não usava máscara.

Bolsonaro subiu num carro de som na Esplanada e discursou para a militância, atacando o STF. "Não aceitaremos que qualquer autoridade usando a força do poder passe por cima da nossa Constituição. Não mais aceitaremos qualquer medida, qualquer ação ou qualquer sentença que venha fora das quatro linhas da Constituição", disse.

"Nós também não podemos continuar aceitando de uma pessoa específica da região dos três Poderes continue barbarizando a nossa população. Não podemos aceitar mais prisões políticas no nosso Brasil."

Por volta das 11h, os manifestantes começaram a deixar o ato.

Faixas golpistas

Além de cartazes e faixas em favor do presidente, manifestantes concentrados na Esplanada dos Ministérios também defendiam o golpe militar e a saída dos ministros do STF.

Uma faixa, localizada em frente ao Congresso Nacional, clamou por "intervenção militar e faxina nos Poderes" e dizia que o povo quer "Bolsonaro no poder".

Estendidas no longo do gramado da esplanada, faixas também pedem a retirada dos ministros do Supremo, em especial, dos ministros Alexandre de Moraes e Luis Roberto Barroso. "Sim à liberdade de expressão!", dizia um cartão, ao lado de uma faixa que pedia que o STF "respeite a Constituição".

Apoiador em blindado - JOAO GABRIEL ALVES/ESTADÃO CONTEÚDO - JOAO GABRIEL ALVES/ESTADÃO CONTEÚDO
7.ser.2021 - Apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) sobem em veículos blindados estacionados na Esplanada dos Ministérios, em Brasília
Imagem: JOAO GABRIEL ALVES/ESTADÃO CONTEÚDO

Protesto na Paulista

Em São Paulo, o presidente participou de um segundo ato a favor de seu governo, na avenida Paulista. O tom foi ainda mais agressivo contra o STF. Disse: "Sai, Alexandre de Moraes! Deixa de ser canalha! Deixa de oprimir o povo brasileiro", além de frases sobre o voto impresso em 2022, retomando mentiras sobre fraudes nas eleições.

Pouco antes das 15h, horário previsto para Bolsonaro chegar, estavam totalmente ocupadas 11 quadras, entre as ruas Haddock Lobo e a avenida Brigadeiro Luís Antônio. A maior concentração de pessoas acontece em torno do carro de som, próximo ao Masp. A PM estimou em 125 mil participantes.

A pouco mais de 3 km dali, acontecia um ato contra o presidente. Militantes do MTST, da CUT e representantes religiosos abriram os discursos com foco no combate à fome e na defesa pela liberdade. Gleisi Hoffmann (PT-PR), presidente do partido, avaliou que os atos a favor de Bolsonaro "ficaram aquém" do que ele esperava. Segundo a PM, foram 15 mil presentes no Vale do Anhangabaú.

Hasteamento

Bolsonaro também esteve na cerimônia de hasteamento da bandeira no Palácio da Alvorada, residência oficial da Presidência, em Brasília. O ato abriu as comemorações do 7 de Setembro, que neste ano, assim como em 2020, não teve desfile militar por causa da pandemia do coronavírus.

Mais cedo, Bolsonaro tomou café da manhã com ministros e outras autoridades. Na saída, fez uma live em suas redes sociais. "Hoje é o dia de o povo brasileiro nos dar o norte, que vai nos dizer para aonde o Brasil deve ir. Nosso país não pode continuar refém de uma ou duas pessoas, não interessa onde elas estejam. Esta uma ou duas pessoas, ou entram nos eixos ou serão simplesmente ignoradas na vida pública."

Depois, seguiu de Rolls-Royce acompanhado de crianças até a Praça das Bandeiras, na área do palácio. Quem dirigiu o veículo foi o ex-piloto Nelson Piquet.

queiroz - Reprodução/Globo News - Reprodução/Globo News
Fabricio Queiroz (de óculos) durante manifestação bolsonarista no Rio
Imagem: Reprodução/Globo News

"Micareta" e Queiroz no Rio

No Rio, o clima foi carnavalesco, com muita cerveja e churrasquinho. O tom foi igual ao de outras praças pelo Brasil, com cartazes e placas com frases antidemocráticas.

Uma participação chamou a atenção. Apareceu no ato Fabrício Queiroz, policial denunciado como operador do esquema das "rachadinhas" do senador Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ), filho do presidente. Ele estava com a camisa do Brasil, ao lado do filho Felipe.

Pelo Nordeste, o tom foi de nostalgia, mas os protestos não tiveram incidentes. No Sul, bandeiras e camisetas deram o tom.

Cartazes em outras línguas

Com a imprensa e órgãos internacionais de defesa dos direitos humanos de olho nas manifestações, os participantes apostaram em cartazes em inglês e em alemão.

Frases golpistas foram traduzidas ao menos nos atos de Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro.

faixa inglês - Elisa Soupin/UOL - Elisa Soupin/UOL
7.set.2021 - Manifestante protesta com cartaz em inglês pela obrigatoriedade da vacina. No cartaz, se lê "Liberdade! Sem passaporte da vacina"
Imagem: Elisa Soupin/UOL

* Participaram da cobertura Lucas Valença, Antonio Temoteo, Ana D'Angelo e Hanrrikson de Andrade, em Brasília, Lola Ferreira e Saulo Guimarães, no Rio, Amanda Rossi, Leonardo Martins, Ana Paula Bimbati, José Dacau, Juliana Arreguy, Vinícius Vieira e Wanderley Preite Sobrinho, em São Paulo, Carlos Madeiro, em Maceió, Hygino Vasconcellos, em Balneário Camboriú (SC), e Abinoan Santiago, em Florianópolis.

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