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Conteúdo publicado há
1 mês

Holiday diz que assessor o chamou de pretinho de merda; vereador contesta

Gilvan Marques

Do UOL, em São Paulo

15/10/2021 17h52

O vereador paulistano Fernando Holiday (Novo-SP) acusou Ivan Ferreira Carvalho, assessor do vereador professor Toninho Véspoli (PSOL-SP), de promover injúria racial e chamá-lo de "pretinho de merda" durante discussão de proposta sobre a Reforma da Previdência, ocorrida na noite de quarta-feira (13).

Ao UOL, o vereador do PSOL negou a acusação contra seu funcionário e disse que a frase utilizada na ocasião foi "cretino de merda". Ele também ameaçou processar Holiday, caso se confirme a falsa acusação. O PSOL, por sua vez, pediu uma "investigação circunstanciada" do caso.

Nas redes sociais, Holiday exibiu um vídeo onde mostra o assessor de Toninho Véspoli, que também é professor de carreira na rede municipal de São Paulo, dizendo supostamente a fala racista. O vereador e ex-integrante do MBL (Movimento Brasil Livre) disse ter entregado o vídeo do xingamento à presidência da Câmara Municipal.

Ontem, na Câmara Municipal, enquanto eu discursava a favor da Reforma da Previdência um dos sindicalistas me xingou de 'pretinho de merda'. Já apresentei o vídeo do xingamento à presidência e exigi a identificação do sujeito. Chega da senzala ideológica. Não vai ficar impune! Fernando Holiday, em seu perfil no Twitter

Ao UOL, por telefone, o vereador Toninho Véspoli saiu em defesa do assessor, que trabalha em sua equipe há cerca de dois meses. Ele negou a suposta fala racista e enviou à reportagem outro vídeo em que seu funcionário aparece chamando Holiday aparentemente de "cretino de merda". Véspoli, no entanto, afirmou que optou pelo afastamento de Ferreira Carvalho até que a investigação seja concluída.

A primeira coisa que fizemos foi pedir em ofício junto à presidência da Câmara a apuração do caso e o afastamento do servidor até o fim da investigação. Somos o maior interessado nessa apuração. Eu soube [do caso] quando Holiday falou na internet. Não me manifestei antes porque fui procurar saber o que aconteceu. Estou desde quinta-feira até hoje de manhã [apurando]. Perguntei a ele [ao funcionário do vereador], e ele disse que falou 'cretino'. Eu acredito nele. Também perguntei a pessoas que estavam próximas. Me manifestei agora porque me sinto mais à vontade. Agora tenho provas: tanto de pessoas pessoas próximas quanto o vídeo [em que ele aparece falando supostamente cretino]

Após apuração concluída, e caso fique comprovada a falsa acusação, Toninho disse não descartar a possibilidade de processar Holiday.

Sim [podemos entrar com processo], mas esperamos a averiguação e o inquérito policial. E [se confirmar a falsa acusação] o Holiday vai pagar o preço de querer like, audiência na internet, porque é isso que o MBL e o Holiday fazem. A falsa acusação tem consequências na vida dele, do Ivan.

Ao UOL, a assessoria de Holiday disse que registrou um boletim de ocorrência para que a Polícia Civil investigue, também com base nos dois vídeos apresentados até agora.

Na hipótese de o funcionário não ter se referido a mim de maneira racista, ele ainda assim me ofendeu e estava recebendo salário para ofender vereadores da galeria. Aí está, portanto, uma má utilização do dinheiro público em todas as hipóteses. Há ali um ato do vereador que permitiu que o seu funcionário estivesse ali ofendendo outros vereadores por conta dos seus posicionamentos Holiday em nota enviada ao UOL

"É por essa razão que eu tomarei as seguintes medidas além daquelas já adotadas pela Presidência da Câmara. Primeiro, registrarei um boletim de ocorrência para que a própria Polícia Civil apure de fato se houve somente um crime de injúria, no caso de ele ter me chamado de 'cretino', 'cretino de merda'. Então registrarei um boletim de ocorrência apresentando esses cenários para que a Polícia Civil possa abrir o inquérito, também com base nos dois vídeos que nós tivemos acesso", completou Holiday, por meio de sua assessoria.

Sobre a ameaça de processo feita pelo vereador do PSOL, a assessoria de Holiday disse que "o caso não se trata de uma suposta denúncia caluniosa, justamente por submeter às autoridades a possibilidade de ocorrência de um crime".

"Caso não seja constatado o crime de fato, não haverá prejuízo para nenhuma das partes. Já caso seja constatado, o vereador Holiday buscará instância judiciais (investigação é um rito administrativo, portanto não se enquadra nessas instâncias)", afirmou.

A bancada do PSOL na Câmara dos Vereadores, por sua vez, reafirmou "a necessidade de que seja conduzida uma investigação circunstanciada do caso, pelas instâncias competentes para tanto, que averigue até o fim os fatos ocorridos".

A bancada de vereadoras e vereadores do PSOL em São Paulo reitera seu compromisso intransigente com o combate ao racismo e seguirá atenta e combativa nas denúncias contra esta prática tão danosa aos espaços políticos e à sociedade em geral. PSOL, em comunicado enviado

Nota de Fernando Holiday, na íntegra

Apenas para fazer uma introdução, diante dos fatos apresentados pelo presidente, o vereador Toninho Vespoli justificou hoje, somente dois dias depois do ocorrido, dizendo que, na verdade, seu funcionário teria pronunciado a palavra "cretino" ao invés de "pretinho" e, portanto, não haveria tido a ofensa racial.

Sobre a justificativa do vereador, acredito que dois pontos precisam ficar muito claros. O primeiro é que se houve uma ofensa racial, ela se torna grave não pelo fato de eu ser um vereador, mas simplesmente pelo fato de que eu fui ofendido de maneira absolutamente racista por conta dos meus posicionamentos políticos.

Na hipótese de o funcionário não ter se referido a mim de maneira racista, ele ainda assim me ofendeu e estava recebendo salário para ofender vereadores da galeria. Aí está, portanto, uma má utilização do dinheiro público em todas as hipóteses. Há ali um ato do vereador que permitiu que o seu funcionário estivesse ali ofendendo outros vereadores por conta dos seus posicionamentos.

É por essa razão que eu tomarei as seguintes medidas além daquelas já adotadas pela Presidência da Câmara. Primeiro, registrarei um boletim de ocorrência para que a própria Polícia Civil apure de fato se houve somente um crime de injúria, no caso dele ter me chamado de "cretino", "cretino de merda". Então registrarei um boletim de ocorrência apresentando esses cenários para que a Polícia Civil possa abrir o inquérito, também com base nos dois vídeos que nós tivemos acesso.

Também apresentarei uma denúncia à Corregedoria da Câmara pedindo a cassação ou alguma outra punição ao vereador Toninho Vespoli pelo uso indevido dos seus funcionários, independentemente de ter havido ou não a ofensa racista porque fato é: houve uma ofensa e este funcionário não recebe dinheiro público para exercer este tipo de atividade aqui nesta casa legislativa.

Agora nós temos que esperar a perícia porque acredito que também não devemos acusar indevidamente ninguém de um crime sem que haja uma prova incontestável disso.

Nota da bancada do PSOL

A bancada de vereadoras e vereadores do PSOL na Câmara Municipal de São Paulo vem a público se posicionar sobre os fatos ocorridos nas duas últimas sessões legislativas e sobre um suposto caso de injúria racial ocorrido no dia 13 de outubro por uma pessoa presente na galeria do plenário.

O vereador Fernando Holiday acusa um assessor parlamentar do Vereador Professor Toninho Vespoli (PSOL), que estava na galeria do plenário, de ter proferido uma injúria racial.

No dia seguinte aos fatos, em um julgamento precipitado, o presidente Milton Leite e o vereador Fernando Holiday do plenário da Câmara Municipal ordenaram a prisão de uma pessoa que estava na galeria, acusando-a de ser a mesma da sessão anterior.

A prisão só não foi efetuada porque se comprovou que a pessoa cuja prisão foi ordenada sequer estava na galeria no dia dos fatos. O fato demonstra a gravidade de qualquer julgamento precipitado e a necessidade de uma apuração que conte com análise técnica (perícia do vídeo e áudio) para avaliação do ocorrido.

Nesse sentido, a bancada do PSOL decidiu afastar o assessor enquanto ocorrer a apuração dos fatos, reafirmando a necessidade de que seja conduzida uma investigação circunstanciada do caso, pelas instâncias competentes para tanto, que averigue até o fim os fatos ocorridos.

A bancada de vereadoras e vereadores do PSOL em São Paulo reitera seu compromisso intransigente com o combate ao racismo e seguirá atenta e combativa nas denúncias contra esta prática tão danosa aos espaços políticos e à sociedade em geral.

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