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Leite critica Doria: 'Espero que o Bolsodoria não esteja voltando'

Eduardo Leite terá João Doria e  Arthur Virgílio Neto como concorrentes nas prévias do PSDB - ROBERTO CASIMIRO/FOTOARENA/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO
Eduardo Leite terá João Doria e Arthur Virgílio Neto como concorrentes nas prévias do PSDB Imagem: ROBERTO CASIMIRO/FOTOARENA/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO

Felipe Pereira

Do UOL, em São Paulo

17/10/2021 13h21

O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), comparou comportamentos recentes do governador de São Paulo, João Doria (PSDB), seu principal adversário nas prévias do partido, ao jeito do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) de fazer política.

A afirmação ocorreu porque Doria sugeriu que não iria participar do debate marcado para terça-feira (19) —o governador, no entanto, voltou atrás ontem. Leite também se referiu a questionamentos de pessoas ligadas a Doria sobre o aplicativo que vai servir para votação.

Levantar suspeitas sobre o modelo de votação e não participar de debate é coisa de Bolsonaro. Espero que o Bolsodoria não esteja voltando aí. Que bom que ele desfez este caminho e está se apresentando para ir ao debate."
Eduardo Leite (PSDB), governador do Rio Grande do Sul

Presidente do PSDB em São Paulo e integrante da campanha de Doria nas prévias, Marco Vinholi reagiu a declaração. "Leite vem a São Paulo e ataca Doria mais uma vez. Diálogo na teoria, agressão na prática. É momento de termos candidato para unir o partido e o pais, não para dividir".

Debate na terça-feira

As declarações de Leite foram dadas neste domingo em um hotel São Paulo, onde esteve para um evento da campanha das prévias tucanas. Ele disse que lamentou a postura de Doria em relação aos debates porque o governador de São Paulo reclamou do formato, mas sem detalhar os problemas.

"Reclamou do formato, mas não disse o que no formato o incomodava. Não tem nada de diferente do que é um debate normal, apresentar as ideias", disse.

O debate está marcado para terça-feira (19), no Rio de Janeiro, e também contará com Arthur Virgílio Neto, o terceiro nome das prévias tucanas, mas que tem menos recebido adesões.

Disputa acirrada

A escolha do nome do PSDB está se tornando uma disputa acirrada entre Doria e Leite. O primeiro turno das prévias está marcado para 21 de novembro.

O governador do Rio Grande do Sul tem mais diretórios estaduais a seu lado. Ele tenta avançar em São Paulo, partido onde o PSDB é maior —26% dos filiados estão no estado.

Doria aposta no tamanho do estado que governa para ser indicado como o nome do PSDB que vai concorrer à presidência da República. Ele recebeu uma carta de apoio assinada por 230 prefeitos paulistas tucanos e 120 vice-prefeitos.

Como acontece no começo de candidaturas, ambos pregam otimismo. Leite chegou ao hotel onde ocorreu o evento com discurso de quem vai vencer. Afirmou que está recebendo apoios em todo o Brasil. Também ressaltou a presença de líderes políticos no evento que acontece na terra de Doria, e projetou um bom resultado no estado.

"Talvez, alguns tenham que colocar no peito um adesivo, mas vão carregar no coração e no voto a decisão a favor da nossa candidatura".

Enquanto o governador gaúcho encontrava os colegas na capital paulista, Doria fazia campanha em Santos. A conta inicial de Doria é de que seu nome vai obter 65% dos votos nas prévias tucanas.

Leite vende seu peixe

Ao ser anunciado, Leite foi descrito como "uma onda em formação". Ele deve ser presença constante no estado de São Paulo nas próximas semanas. Até o dia da votação, haverá seis agendadas no estado —o que reflete sua importância prévia tucana.

A articulação dos encontros ficará a cargo do prefeito de Santo André e apoiador de primeira hora, Paulo Serra. Ele disse que gostaria de levar o governador do Rio Grande do Sul a todas as regiões de São Paulo.

O discurso que Leite apresenta é um apelo ao que foi chamado de "PSDB raiz". Ele cita nomes como Mário Covas e Geraldo Alckmin, com quem conversou por telefone na manhã de domingo —o ex-governador paulista está de saída do partido, após desavenças com Doria.

A citação ao ex-governador faz sentido porque, entre os cerca de 300 participantes do evento no hotel da capital paulista, havia muitos aliados de Alckmin, como o ex-presidente do partido Pedro Tobias. Eles afirmavam que vão ficar no PSDB até a prévia e depois seguem o ex-governador para o partido que ele escolher.

Outros momentos que faziam o público reagir era quando Leite dava declarações que podem ser interpretadas como alfinetadas em Doria. A frase "o PSDB não é business, é sentimento" gerou palmas e gritos eufóricos.

"A rejeição que existe hoje sobre o governador de São Paulo é um fato. Não estou discutindo se ela é justa ou injusta, mas é um fato. O PSDB precisa, para viabilizar-se eleitoralmente, buscar um caminho que esteja em sintonia com o que a gente percebe deve ser o posicionamento político de construção e não de destruição. O país precisa buscar convergência e a nossa candidatura talvez ofereça isso melhor. E é isso que o partido está observando".

Amparado neste discurso conciliador, no apoio de tucanos da velha guarda que se opõem a Doria e se vendendo como nome com menos rejeição eleitoral e capaz de formar uma aliança partidária maior, Leite tenta crescer em São Paulo. Ele tem consciência que vencer no estado é muito difícil, mas espera minimizar a desvantagem no estado com mais filiados.

"As adesões deste PSDB histórico vão gerando uma rede de colaboração, mobilizadores e estão fazendo a nossa candidatura crescer aqui no estado de São Paulo. A gente confia que vai ter um bom resultado aqui", avaliou.

Regras da prévia

Podem votar nas prévias quem se filiou ao partido até 31 de maio. A Executiva Nacional do PSDB dividiu os eleitores em quatro grupos. Cada grupo representa 25% dos votos e o candidato recebe uma porcentagem referente aos votos que fizeram nos grupos, que estão divididos da seguinte forma:

  1. Filiados;
  2. Prefeitos e vice-prefeitos;
  3. Vereadores, deputados estaduais e distritais;
  4. Governadores, vice-governadores, ex-presidentes e o atual presidente da do PSDB, senadores e deputados federais.

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