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'Acolhemos tudo de todo mundo', diz Renan sobre relatório final da CPI

Hanrrikson de Andrade

Do UOL, em Brasília

19/10/2021 12h31

Criticado nos últimos dias em razão de um vazamento do relatório da CPI da Covid, o responsável pelo texto final da comissão, Renan Calheiros (MDB-AL), defendeu hoje o caráter colaborativo do documento e disse que o mesmo acabou ficando "longo" (são mais de 1.000 páginas) justamente porque ele "acolheu tudo de todo mundo" —em referência às sugestões de outros senadores.

O vazamento do relatório à imprensa, no fim de semana, provocou mudanças na agenda do colegiado. A votação foi adiada para semana que vem, e o início da leitura do texto passou de terça-feira (19) para quarta-feira (20). Segundo o presidente da comissão, Omar Aziz (PSD-AM), Calheiros teria descumprido um acordo para, antes de finalizar e divulgar o documento, discutir pontos sensíveis com os colegas —em uma reunião que havia sido marcada para ontem (18).

Com o vazamento no fim de semana, Aziz criticou o relator e disse que não havia mais "clima" para realizar a reunião. Há pontos de divergência de pensamento entre Calheiros e o presidente da CPI, assim como em relação a outros senadores que compõem o chamado "G7" (grupo que reúne os congressistas críticos ao governo Bolsonaro).

Uma reunião a fim de pacificar os ânimos foi marcada para a noite de hoje na residência do senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), com os principais nomes da cúpula do colegiado. Há expectativa de que eles conversem a respeito dos pontos de divergência e, se houver um consenso parcial ou total, o relatório deve ser então divulgado formalmente.

Na audiência de hoje da CPI, marcada para ouvir o depoimento de Elton da Silva Chaves, representante do Conasems (Conselho de Secretarias Municipais de Saúde), Calheiros afirmou que está "completamente aberto a colaborações para materialização de todas as orientações dos companheiros".

"Nessa proposta inicial, esse relatório é longo porque acolhemos tudo de todo mundo. Por isso que ele é longo, perde muito poder de síntese. Mas como essa investigação é complexa, sistemática e com muitos personagens envolvidos... Paciência. Não era o detalhe do tamanho que iriaa significar a profundidade do trabalho."

"O meu propósito é o mesmo, colaborar. Não quero colocar nada nesse relatório que não signifique o pensamento da maioria da CPI."

A CPI da Covid foi criada no Senado após determinação do Supremo. A comissão, formada por 11 senadores (maioria é independente ou de oposição), investiga ações e omissões do governo Bolsonaro na pandemia do coronavírus e repasses federais a estados e municípios. Tem prazo inicial (prorrogável) de 90 dias. Seu relatório final será enviado ao Ministério Público para eventuais criminalizações.