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Dallagnol ataca Bolsonaro: 'não cumpriu os seus discursos de campanha'

Apesar da crítica ao presidente, Dallagnol desceu o tom na sequência e afirmou não querer atacar ninguém - Fernando Frazão/Agência Brasil
Apesar da crítica ao presidente, Dallagnol desceu o tom na sequência e afirmou não querer atacar ninguém Imagem: Fernando Frazão/Agência Brasil

Do UOL, em São Paulo

01/12/2021 09h26Atualizada em 01/12/2021 09h34

O ex-coordenador da força-tarefa da Operação Lava Jato em Curitiba, Deltan Dallagnol, criticou ontem o presidente Jair Bolsonaro (PL) por não cumprir seus discursos da campanha presidencial em 2018. Dallagnol é cotado para concorrer a uma vaga na Câmara dos Deputados nas eleições do ano que vem.

Com um forte discurso de combate à corrupção, o ex-coordenador disse ao site O Antagonista que o Brasil "precisa de pessoas que se comprometam com o combate à corrupção com mais do que palavras".

"O governo elegeu de 30 a 40 prioridades em fevereiro ou março deste ano, se você jogar no Google você vai ver se é 30 ou 40, e adivinhe quantas prioridades tinham a ver com combate à corrupção? Zero, nenhuma, nada. Cara, como ele [Bolsonaro] tem um discurso de campanha e depois ele não cumpre o que fala?", comentou.

A fala de Dallagnol se refere à lista de projetos prioritários entregue pelo atual mandatário aos presidentes da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), em fevereiro deste ano. O texto incluiu medidas esperadas, como reforma tributária e administrativa, além de privatizações e autonomia do Banco Central, mas tem ênfase também nas chamadas pautas de costumes defendidas pela militância bolsonarista.

Apesar da crítica ao presidente, Dallagnol desceu o tom na sequência e afirmou não querer atacar ninguém, mas sim lutar pela "causa" de combate à corrupção.

"Eu estou defendendo a causa, assim como eu defendo quanto as decisões do Supremo [Tribunal Federal] que criaram uma série de regras aplicadas para o passado, quebraram a segurança jurídica e destruíram vários casos da Lava Jato e vão destruir vários casos futuros", disse.

O ex-coordenador da força-tarefa da Operação Lava Jato não citou nenhuma situação que teria sido "destruída" por decisões da Corte, no entanto, um dos casos mais emblemáticos após determinações do STF foi a soltura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) da prisão.

Em novembro de 2019, por 6 votos a 5, o STF (Supremo Tribunal Federal) mudou de entendimento e vetou a prisão de condenados em segunda instância. Um dia depois, beneficiado pela decisão, o ex-presidente Lula foi solto na Superintendência da PF (Polícia Federal) em Curitiba, após determinação da Justiça Federal.

À época, Lula havia sido condenado pelo caso do tríplex do Guarujá (SP), derivado da Operação Lava Jato, mas todas as condenações contra o ex-presidente feitas pela Justiça Federal do Paraná no âmbito da Operação Lava Jato foram anuladas pelo STF em abril deste ano.

*Com informações de Alex Tajra, Nathan Lopes e Vinicius Konchinski, do UOL, em São Paulo, e colaboração para o UOL, em Curitiba, do Estadão Conteúdo e Reuters

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