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Não é excluindo que se faz democracia, diz Thammy ao deixar PL de Bolsonaro

O vereador Thammy Miranda, de saída do PL, após filiação do presidente Bolsonaro - Reprodução/Instagram
O vereador Thammy Miranda, de saída do PL, após filiação do presidente Bolsonaro Imagem: Reprodução/Instagram

Lucas Borges Teixeira

Do UOL, em São Paulo

03/12/2021 04h00

O vereador paulistano Thammy Miranda levou poucas horas para anunciar sua saída do PL, onde está desde 2020, após a filiação do presidente Jair Bolsonaro (PL) na manhã da última terça-feira (30).

Alegando incompatibilidade de ideias, em especial na gestão da pandemia de covid-19, ele seguiu os passos do vice-presidente da Câmara dos Deputados, Marcelo Ramos (PL-AM) e se recusou a ficar sob a mesma sigla do presidente. Ao UOL, ele conta que ainda não escolheu uma casa nova e não revela quem vai apoiar no ano que vem —só em quem não votará.

No anúncio, feito em suas redes sociais, Thammy cita divergência de ideias do presidente e "ataques pessoais de membros da família". O vereador carioca Carlos Bolsonaro (PSC-RJ), segundo filho do presidente, já fez diversos ataques a ele. Em 2020, chegou a publicar uma foto antiga do ator em seu Instagram, quando ele ainda não havia feito sua transição de gênero.

"Os dois motivos pesaram na minha decisão. Não faz sentido estar no mesmo partido", diz o vereador, eleito pela primeira vez no ano passado.

"Temos muitos pontos [divergentes], mas o mais chocante é o modo como ele tocou essa pandemia. Eu acredito na vacina e acredito que elas salvaram e estão salvando muitas vidas", afirma Thammy.

Ele também reprova as piadas de cunho homofóbico feitas com certa frequência pelo presidente. Na própria filiação ao PL, quando contou que havia trocado a gravata com o senador Jorginho Mello (PL-SC), completou: "Troca de gravatas, vamos deixar bem claro", rindo.

Não acho que são piadas e não acredito que é excluindo as pessoas que se faz uma democracia séria. Precisa existir respeito! A gente só cura uma sociedade quando aceitamos que existem pessoas diferentes e necessidades diferentes."
Thammy Miranda (de saída do PL-SP), vereador

Apesar do pedido de desfiliação, ele diz que sai sem mágoas ou rusgas do partido. "Eles sempre foram respeitosos comigo, me aceitaram como sou e me deram espaço para fazer as coisas do jeito que acredito", afirma.

Ainda sem casa nova

Filiado a partidos políticos desde 2007, o PL é a quinta sigla em que Thammy ingressou. Ele se filiou aos liberais em 2020, para disputar as eleições municipais.

  • PP (2007-2009 e 2015-2018)
  • PSC (2009-2011)
  • PR (atual PL) (2011-2015)
  • PSB (2018-2020)
  • PL (2020-2021)

Curiosamente, em sua segunda passagem pelo PP, em 2015, Thammy dividiu o partido com Bolsonaro, que era deputado federal pela sigla. O presidente deixou o Progressistas no ano seguinte, para se filiar ao PSC.

Agora, o vereador diz que ainda não escolheu uma nova casa.

"Eu escolho projetos, demandas, escolho estar ao lado da nossa gente, pra benefício da cidade e da população", diz o vereador. "Meu foco continua sendo o meu trabalho na Câmara Municipal, sem distrações."

Eleito em 2020 com 43.297 votos, nono vereador mais votado na capital paulista, ele diz que pretende continuar na Câmara, sem tentar outros cargos, em 2022.

"Minha missão na Câmara não acabou. Ainda tenho projetos a serem aprovados e muitos ainda para construir, além de sempre buscar o melhor para a nossa gente, principalmente das pessoas que mais precisam de visibilidade", diz Thammy.

Sobre a corrida ao Planalto, o vereador já revela que não votará pela reeleição de Bolsonaro, mas ainda não declara apoio a nenhum dos possíveis presidenciáveis.

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