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Com agronegócio, Bolsonaro exalta armas e diz que anulou ações do MST

17.jan.22 - Bolsonaro fala na abertura do Lançamento do Circuito de Negócios Agro, do Banco do Brasil - Reprodução/Banco do Brasil
17.jan.22 - Bolsonaro fala na abertura do Lançamento do Circuito de Negócios Agro, do Banco do Brasil Imagem: Reprodução/Banco do Brasil

Rafael Neves

Do UOL, em Brasília

17/01/2022 17h47

O presidente Jair Bolsonaro (PL) celebrou, em evento público hoje à tarde, a atuação do governo para combater o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), para ampliar o porte de armas para proprietários rurais e para evitar a demarcação de novas terras indígenas.

As manifestações foram feitas no lançamento do Circuito de Negócios Agro, um evento itinerante do Banco do Brasil que levará assistência técnica ao agronegócio nos locais por onde passar. Bolsonaro, que estava acompanhado de ministros e membros da bancada ruralista, falou em tom de campanha e chegou a fazer alusão ao número 22, que deverá ter nas eleições.

No discurso, o presidente comemorou ter "tirado a força" do MST em seu governo. "Todos devem se lembrar que tínhamos algumas dificuldades no passado. Por exemplo: a atuação do MST. Nós praticamente anulamos as ações do MST, tirando dinheiro público que ia para ONGs que financiavam o MST", afirmou o presidente.

Na última sexta-feira, em evento em Macapá, Bolsonaro defendeu o excludente de ilicitude, que visa livrar de punição os policiais que matam durante operações, como uma ferramenta a ser usada contra o movimento.

"Eu vejo agora meus policiais militares aqui presentes. O MST está ameaçando realizar dezenas de invasões no corrente ano. Se um dia eu tiver no Congresso Nacional o excludente de ilicitude, pode ter certeza, aproveite para invadir agora, porque, no futuro, não invadirão", declarou.

Armas e terras indígenas

No mesmo discurso, logo em seguida, Bolsonaro passou a enaltecer a ampliação da posse de armas em propriedades rurais. "O homem do campo passou a poder usar a sua arma não apenas na propriedade física, onde ele habitava, mas em toda a sua propriedade. Isso levou mais tranquilidade para vocês", celebrou.

Bolsonaro disse que acompanhava, desde a época em que era deputado, "o suplício e a grande preocupação" dos produtores rurais quando vinha à tona a notícia de uma nova demarcação de terra indígena.

"Eu, muitas vezes, me colocava no lugar dos senhores, quando era deputado federal. E via o suplício e a grande preocupação, e aquele balde de água gelada logo cedo, quando se tinha notícia que a nossa terra, a terra de vocês, iria ser demarcada como terra indígena", disse o presidente.

"Nós mudamos completamente isso daí. Não tivemos uma só demarcação de terra indígena no Brasil", completou o presidente, que exaltou o trabalho do governo para impedir a mudança no marco temporal das terras indígenas, em julgamento que segue à espera de conclusão no STF (Supremo Tribunal Federal).

O evento

O lançamento da iniciativa foi realizado no CCBB (Centro Cultural do Banco do Brasil), mesmo local onde a equipe provisória de Bolsonaro se instalou, no final de 2018, para organizar a transição do governo Temer para o atual.

O presidente subiu ao palco do evento acompanhado do vice-presidente Hamilton Mourão (PRTB) e do presidente do Banco do Brasil, Fausto Ribeiro. Também estavam no lançamento os ministros Paulo Guedes, da Economia, Tereza Cristina, da Agricultura, e Augusto Heleno, do GSI (Gabinete de Segurança Institucional).

Além de membros do governo Bolsonaro, o lançamento teve a presença de deputados Nelson Barbudo (PSL-MT) e Joaquim Passarinho (PSD-PA), do senador Nelsinho Trad (MDB-MS) e do locutor de rodeios Cuiabano Lima.

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