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4 meses

Após enterro da mãe, Bolsonaro vai a lotérica e repete pregação antivacina

O presidente Jair Bolsonaro (PL) foi a Eldorado para acompanhar o velório da mãe, Olinda Bolsonaro - Leonardo Martins/UOL
O presidente Jair Bolsonaro (PL) foi a Eldorado para acompanhar o velório da mãe, Olinda Bolsonaro Imagem: Leonardo Martins/UOL

Hanrrikson de Andrade

Do UOL, em Brasília

22/01/2022 17h09

Um dia após o enterro da mãe, em Eldorado, no interior de São Paulo, Jair Bolsonaro (PL) voltou hoje a fazer pregação retórica na tentativa de levantar suspeita quanto à segurança da vacinação contra a covid-19. Ele também se dirigiu a uma casa lotérica da cidade para fazer aposta na Mega-Sena.

Sem qualquer prova de nexo causal e na contramão da versão oficial do Ministério da Saúde de seu próprio governo, o presidente indagou sobre a possibilidade —descartada— de o imunizante da Pfizer ter causado parada cardíaca em uma criança de dez anos 12 horas depois da aplicação da dose pediátrica. O caso ocorreu em Lençóis Paulista (SP).

Segundo análise da Secretaria de Saúde de São Paulo, a parada cardíaca foi provocada por uma doença congênita rara, isto é, não houve qualquer "evento adverso" associado à vacinação.

Ontem (21), o Ministério da Saúde emitiu nota para endossar a conclusão. "O parecer conclusivo, já divulgado pelo estado, foi que não existe relação causal entre a vacinação e o quadro clínico apresentado, portanto, o evento adverso pós-vacinação foi descartado", informou a pasta.

Hoje, sem apresentar argumentos, Bolsonaro deixou um questionamento no ar durante conversa com jornalistas e apoiadores em Eldorado: "Foi em função da vacina ou não foi?".

Em trecho do diálogo reproduzido pelo site Metrópoles, Bolsonaro diz ter conversado com o pai da criança de 10 anos e que teria ouvido dele um relato "preocupante".

"Como pai, o que ele falou para a gente é preocupante. Agora, foi em função da vacina ou não foi? De imediato já vi nego que nem tinha ido lá falando que ela tinha outros problemas. Eu conversei com o pai. Conversem com o pai da menina. Vocês têm filhos também. Nós queremos o bem de todos."

As declarações de hoje se somam a várias outras anteriores feitas pelo presidente da República contra a vacinação da população até 11 anos, cujo início ocorreu em 14 de janeiro, a contragosto do Executivo federal.

O processo de imunização de crianças de 5 a 11 anos foi autorizado pela Anvisa em 16 de dezembro, inicialmente com a aplicação de uma vacina específica da Pfizer para o grupo etário (dose pediátrica). Posteriormente, em 20 de janeiro, a entidade regulatória também deu aval ao uso da CoronaVac para o grupo populacional de 6 a 17 anos.

Desde o fim do ano passado, Bolsonaro —provável candidato à reeleição em 2022— passou a dar entrevistas a rádios e emissoras de TV com foco no interior do país. Uma das pautas recorrentes do presidente é a crítica à vacinação infanto-juvenil. O governante argumenta que a imunização seria desnecessária e aponta, sem dados que corroborem a sua tese, supostos riscos à saúde em decorrência de eventuais efeitos adversos das vacinas.

Lotérica

Pouco antes de retornar a Brasília, na manhã de hoje, Bolsonaro parou em uma lotérica para fazer aposta na Mega-Sena.

Em postagem no Facebook, o presidente manifestou superstição. "Dia 22, ano 22, 22 mi acumulados", disse ele, em referência ao prêmio da loteria, ao dia de hoje e ao ano corrente. Além disso, o número nas urnas de seu partido, o PL, é 22.

Orçamento

Também hoje, em Eldorado, Bolsonaro afirmou ter sido "obrigado a vetar" R$ 2,8 bilhões do Orçamento de 2022. "Se eu sancionar, eu tenho que ter o recurso definido", justificou-se.

Segundo o chefe do Executivo, parte dos valores que não foram aprovados devem ser tirados das emendas de comissão do Congresso e da fatia reservada aos gastos do Executivo.

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