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3 meses

Atrás nas pesquisas, Bolsonaro usa BNDES para atacar governos do PT e Cuba

Do UOL, em São Paulo

27/01/2022 21h11Atualizada em 28/01/2022 09h20

O presidente Jair Bolsonaro (PL) dedicou boa parte de sua live semanal para exaltar a atual gestão do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), usando-o para atacar governos anteriores do PT e países como Cuba e Venezuela. Ele também repetiu o alerta para os "riscos" que acredita haver em uma eventual volta do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao poder.

"Quando um cidadão vai no banco e faz um empréstimo, ele tem que deixar algo de garantia. O que Cuba deixou de garantia caso não pagasse esse empréstimo [ao BNDES]? (...) [Vitória de Lula nas eleições] Não é um retrocesso, é um crime que se vai fazer reconduzindo à cena do crime um cara que comandou o país por oito anos e depois interferiu em mais meia dúzia", disse o presidente.

[Os governos do PT] Foram fantásticos em obras fora do Brasil, em especial em ditaduras. (...) Alguns estão entrando na lábia do bandidão, do ladrão que ficou à frente do país por algum tempo. Ele tem se apresentado como se fosse um novato na política, tem e deve muita coisa, e se essa pessoa voltar, com toda certeza vai aparelhar novamente essas instituições e vai fazer pior do que fez no passado.
Jair Bolsonaro, durante live

Apesar de criticar os empréstimos do BNDES a países estrangeiros, Bolsonaro admitiu não haver irregularidades no processo.

"Pelo que a gente sabe aqui, não teve operação ilegal, tudo foi autorizado por leis. Muitas [operações] começaram via Medida Provisória [MP]. Isso tudo obviamente é uma máquina, que foi azeitada, e foram criadas condições para que o projeto chegasse ao Congresso, se transformasse em lei e esses recursos fossem para o exterior", acrescentou.

Gustavo Montezano, presidente do BNDES, também participou da transmissão ao vivo. Ele tomou posse em julho de 2019, substituindo Joaquim Levy, e recebeu de Bolsonaro a missão de abrir a "caixa-preta" do banco em busca de supostas ilegalidades em empréstimos feitos por governos anteriores ao grupo J&F, que controla a JBS.

O BNDES gastou R$ 48 milhões com a auditoria. Depois de 1 ano e 10 meses de investigação, o banco divulgou em dezembro de 2019 um relatório que não apontou nenhuma evidência direta de corrupção em oito operações realizadas entre 2005 e 2018 — portanto, nos governos Lula, Dilma Rousseff (PT) e Michel Temer (MDB).

Atrás nas pesquisas

Os ataques acontecem no mesmo dia em que Bolsonaro aparece atrás do ex-presidente Lula em mais uma pesquisa eleitoral, esta realizada pelo Ipespe (Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas) a pedido da XP. Segundo o levantamento, Lula lidera a corrida presidencial com 44% das intenções de voto, 20 pontos à frente do atual presidente (24%), que aparece em segundo lugar.

Os percentuais alcançados pelos dois pré-candidatos são os mesmos da última pesquisa Ipespe, divulgada na primeira quinzena de janeiro.

Em meados de dezembro, uma pesquisa Ipec — fundado por ex-executivos do Ibope — mostrou que Lula tem ampla vantagem em relação aos adversários e poderia vencer a eleição já no primeiro turno. No principal cenário analisado à época, o ex-presidente aparecia com 48% dos votos, enquanto todos os outros candidatos juntos somam 38%.

Para vencer uma eleição em primeiro turno, o candidato precisa conquistar a maioria absoluta, isto é, mais de 50% dos votos válidos — que não incluem votos em branco ou nulos — ou um voto a mais que a soma de seus adversários. Levando em conta esta regra, Lula teria 56% dos votos válidos.

(Com Estadão Conteúdo)

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