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Bolsonaro diz a apoiadores que Brasil vive 'ditadura que vem pelas canetas'

Pedro Ladeira/Folhapress,
Imagem: Pedro Ladeira/Folhapress,

Hanrrikson de Andrade

Do UOL, em Brasília

10/02/2022 11h31Atualizada em 10/02/2022 13h28

O presidente Jair Bolsonaro (PL) afirmou hoje a apoiadores entender que o Brasil vive uma "ditadura que vem pelas canetas".

Segundo ele, o estado de exceção ao qual faz referência não teria "nenhuma diferença" com o regime "feito pelas armas", e citou os casos de Cuba e Venezuela. O governante não explicou com mais detalhes o seu raciocínio e não deu argumentos que pudessem embasar a sua tese.

Bolsonaro disse apenas que "vocês [em mensagem aos apoiadores] sabem o que aconteceu no Brasil". E, em tom profético, declarou que "algo que vai salvar o país" estaria perto de acontecer nos próximos dias. As falas ocorreram no cercadinho do Palácio da Alvorada, em Brasília.

Qual é a diferença de uma ditadura feita pelas armas, como a gente vê, por exemplo, em Cuba, Venezuela e outros países, e uma ditadura que vem pelas canetas? Qual é a diferença? Nenhuma. Então, vocês sabem o que aconteceu no Brasil. Acredito em Deus. Nos próximos dias, vai acontecer algo que vai nos salvar no Brasil
Jair Bolsonaro (PL)

O chefe do Executivo federal vai ser candidato à reeleição em outubro desse ano e, de acordo com as pesquisas realizadas até o momento, estaria em desvantagem na disputa com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Os dois representam segmentos políticos antagônicos.

Eleito em meio à onda conservadora de 2018 e com uma base fiel no campo da extrema direita, Bolsonaro tem buscado repetir estratégias de campanha que foram bem-sucedidas quatro anos atrás.

Uma delas é justamente dar ênfase nos ataques ao PT (que governo o país entre 2003 e 2016) e aos defensores da esquerda, associando-os constantemente a atos de corrupção, ditaduras em outros países (como Cuba e Venezuela) e posturas que seriam contrárias a "valores conservadores" (Deus, pátria, família, entre outros).

O presidente também tem em perspectiva para a eleição deste ano os atritos com outros Poderes, em especial com ministros do STF (Supremo Tribunal Federal).

Na visão do governante, decisões da Corte —como as do ministro Alexandre de Moraes no inquérito das fake news— iriam no sentido contrário ao da "liberdade" —em discurso realizado ontem, Bolsonaro afirmou, por exemplo, que "não mandou prender nenhum deputado" e "desmonetizou a página de ninguém".

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