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Agenda de Bolsonaro na Rússia tem cerimônia militar e almoço com Putin

Presidente Jair Bolsonaro desembarca em Moscou, na Rússia - Reprodução/TV Brasil
Presidente Jair Bolsonaro desembarca em Moscou, na Rússia Imagem: Reprodução/TV Brasil

Hanrrikson de Andrade

Do UOL, em Brasília

15/02/2022 13h24

O presidente Jair Bolsonaro (PL) terá uma agenda cheia em Moscou a partir de amanhã (16). O governante, que decidiu manter a visita ao gigante do leste europeu apesar do clima de tensão na fronteira com a Ucrânia, encontrará o presidente russo, Vladimir Putin, em ao menos duas oportunidades.

O evento principal é um almoço no Kremlin, às 13h do horário local (7h no horário oficial de Brasília). O encontro deve durar cerca de uma hora e meia.

Às 14h40 do horário local (8h40 em Brasília), os líderes das duas nações farão uma declaração à imprensa, na sala de conferências do Kremlin.

Antes da agenda vespertina, Bolsonaro ainda participa de uma cerimônia militar de aposição floral no Túmulo do Soldado Desconhecido, ponto histórico de Moscou. A solenidade está prevista para começar às 9h no horário local (3h em Brasília).

Para fechar o expediente em Moscou nesta quarta, o chefe do Executivo federal participa do Encontro Empresarial Brasil-Rússia, que ocorrerá na Sala Vrubel, no Hotel Metropol. Durante o evento, Bolsonaro deve encontrar empresários e representantes do Parlamento russo para falar sobre a crise de fertilizantes.

Bolsonaro desembarcou na capital russa na manhã de hoje (15) após mais de 15 horas de viagem. Na chegada, o governante desceu da aeronave oficial usando máscara de proteção contra a covid-19 e, em seguida, foi recepcionado por militares russos. Não há compromissos oficiais previstos para hoje.

Tensão na fronteira

A ida à Rússia ocorre em meio a clima de tensão internacional em razão da possibilidade de o gigante europeu iniciar um conflito armado com a Ucrânia.

O Itamaraty orientou o chefe do Executivo federal a não comentar a possibilidade de uma guerra entre os países vizinhos, exceto se o assunto for abordado por Putin durante o encontro.

Bolsonaro foi aconselhado a cancelar ou adiar a ida à Rússia, mas decidiu ignorar os alertas e manteve a programação inicial —ele ficará em Moscou até quinta-feira (17), dia em que também visitará a Hungria para encontro com o primeiro-ministro Viktor Orbán.

No sábado (12), o governante brasileiro destacou que considera a viagem importante porque o país depende da Rússia para importação de fertilizantes. E também fez um pedido de paz: "A gente pede a Deus para que reine a paz no mundo para o bem de todos nós".

Mais cedo, Bolsonaro publicou nas redes sociais que já estava no espaço aéreo russo, com uma foto da notícia de que a Rússia ordenou a retirada de parte das tropas da fronteira com a Ucrânia.

Devido a exigências impostas pela autoridade russa, Bolsonaro é obrigado a se adequar a um rígido esquema de controle sanitário. Foi solicitado que os integrantes da comitiva brasileira façam até 5 testes do tipo RT-PCR para detecção do vírus da covid-19. Um deles seria realizado entre três e quatro horas antes da agenda.

Tensão mundial

A possibilidade de uma guerra entre Rússia e Ucrânia levou preocupação a toda a comunidade internacional. Líderes do Ocidente têm ameaçado o presidente russo, Vladimir Putin, com a aplicação de sanções severas caso o conflito aberto seja instalado. O chanceler alemão, Olaf Scholz, falou em sanções imediatas e "reações duras".

O Kremlin, apesar das ameaças, mantém um amplo contingente militar nos arredores da fronteira com a Ucrânia.

Na manhã de hoje, o governo Putin anunciou o início da retirada de parte das tropas que se exercitavam perto das fronteiras do vizinho. A notícia foi bem recebida pela comunidade internacional e ajudou a aliviar um pouco o clima de acirramento, porém ainda não foi descartada a hipótese de conflito armado.

O anúncio, feito às agências de notícias russas pelo Ministério da Defesa, não especifica quantos soldados estão envolvidos na volta às suas bases permanentes, apenas que eles fazem parte dos distritos militares Ocidental e Sul, em áreas contíguas ao território ucraniano.

Ao mesmo tempo, avança a manobra russa de reconhecer as áreas separatistas na Ucrânia como governo, o que pode manter Kiev longe da adesão ao Ocidente, como deseja o presidente russo.

A crise surgiu depois da mobilização de mais de cem mil militares russos para a fronteira com a Ucrânia há várias semanas.

Moscou tem negado reiteradamente que queira atacar a antiga república soviética, mas exige certas garantias na questão da segurança, entre elas que a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) não admita entre seus membros a Ucrânia, um ponto inegociável para o Ocidente.