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Não posso fazer piada, diz Eduardo na Câmara sobre tortura de Miriam Leitão

Caio Mello

Do UOL, em São Paulo

27/04/2022 19h33Atualizada em 27/04/2022 21h55

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) voltou a pôr em dúvida hoje, em reunião no Conselho de Ética da Câmara, a tortura sofrida pela jornalista Miriam Leitão durante a ditadura miliar (1964-1985).

"A Miriam Leitão diz que foi torturada, assim como todas as pessoas que estão nos presídios hoje em dia dizem que foram torturadas. Ela tendo como única prova o depoimento dela, eu tenho que ser obrigado a acreditar na versão dela, eu não posso sequer fazer uma piada", declarou ao parlamentar, em referência a um processo que responde na Câmara após debochar da tortura sofrida pela jornalista, no início de abril.

Miriam Leitão sofreu tortura em 1972, quando estava grávida, chegando a ser colocada em uma sala escura junto de uma jiboia, por ser militante do PCdoB.

O UOL entrou em contato com a jornalista sobre a nova declaração do deputado, mas ainda não obteve retorno. O texto será atualizado assim que houver manifestação.

A declaração de hoje no Conselho de Ética aconteceu enquanto Eduardo comentava a representação na Câmara, ingressada pelo PSOL e pela Rede, que exigem a cassação do seu mandato por quebra de decoro parlamentar em razão dos primeiros comentários direcionados contra Miriam Leitão.

Na ocasião, após Miriam Leitão afirmar, em sua coluna no jornal "O Globo", que o presidente Jair Bolsonaro (PL) seria "inimigo da democracia", Eduardo disse que tinha "pena da cobra", em menção às torturas sofridas pela jornalista.

O caso gerou repercussão entre os políticos da oposição. "Fui envolvida por uma onda forte, boa e carinhosa desde domingo. Eu agradeço a todas as pessoas que se manifestaram aqui e por outros caminhos. As mensagens me fortalecem e me ajudam a ter esperança no Brasil e no futuro da democracia, que nos custou tão caro", se manifestou Miriam, na ocasião.

Além do processo envolvendo as declarações contra a jornalista, Eduardo teve hoje outros dois processos abertos contra si no Conselho de Ética: um deles por ter feito falas contra o uso de máscaras durante a pandemia, de autoria do PDT e PT; e outro, por ter chamado mulheres de "portadoras de vagina" em uma postagem nas redes sociais, ingressado pelo PDT, PT, PSB, PSOL e PCdoB.