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3 meses

Bolsonaro diz confiar em todos ministros: 'Ninguém na marca do pênalti'

Colaboração para o UOL, em São Paulo*

28/04/2022 19h26Atualizada em 28/04/2022 20h52

O presidente Jair Bolsonaro (PL) disse hoje que confia em todos os novos e antigos ministros do seu governo e que negou que algum deles possam ser retirados do cargo neste momento. A declaração ocorreu durante a live semanal do chefe do Executivo nas redes sociais.

O que a imprensa faz para esconder muita coisa, lança uma fake news. 'Bolsonaro avalia tirar Carlos França do comando do Itamaraty', nem passou pela minha cabeça, nenhum ministro está na marca do pênalti. Presidente Jair Bolsonaro ao comentar notícias durante live semanal

No final de março, o governo Bolsonaro publicou, em edição do DOU (Diário Oficial da União), a substituição de dez ministros que deverão ser candidatos nas eleições de outubro.

A mudança ocorreu em razão da Lei de Inelegibilidades, de 1990, que prevê que os ministros que desejam se candidatar precisam deixar os cargos até seis meses antes do primeiro turno — este ano, o pleito está marcado 2 de outubro.

Segundo Bolsonaro, os novos ministros foram indicados pelos que saíram de suas pastas e "estão indo muito bem" em suas funções, ressaltou o mandatário.

"[Não há] nenhum ministro que tenho falado ultimamente, para falar para ele 'olha o que ta acontecendo aqui, você ta certo ou não tá, o que devo fazer', nada. Os 10 novos ministros que nós temos pela saída dos mais antigos, que devem disputar um cargo eletivo, foram indicados pelo próprio titular da pasta e tão indo muito bem, mantém a política do ministro [anterior]."

Por fim, o chefe do Executivo voltou a afirmar que, atualmente, não há nenhum ministro "para ser retirado" do cargo.

"Não existe ninguém na marca do pênalti, ninguém para ser retirado, isso é fake news, mentira. Se não mentir contra mim, não tem matéria", alegou.

Mudanças dos ministros

Uma das mudanças aconteceu no Ministério da Defesa. O atual comandante do Exército, general Paulo Sérgio, assumiu o ministério. Walter Braga Netto, cotado para ser vice na chapa de reeleição de Bolsonaro, deixou a pasta, mas permanecerá no governo no cargo como assessor especial do Gabinete da Presidência da República.

Confira abaixo as outras mudanças:

Ministério da Agricultura

  • Quem sai: Tereza Cristina, pré-candidata ao Senado por Mato Grosso do Sul. Retoma o mandato de deputada federal na Câmara
  • Quem assume: Marcos Montes Cordeiro, secretário-executivo da pasta

Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações

  • Quem sai: Marcos Pontes, pré-candidato a deputado federal por São Paulo
  • Quem assume: Paulo César Rezende de Carvalho Alvim, secretário de Empreendedorismo e Inovação da pasta

Ministério da Cidadania

  • Quem sai: João Roma, pré-candidato ao governo da Bahia. Retoma o mandato de deputado federal na Câmara
  • Quem assume: Ronaldo Vieira Bento, chefe da Assessoria Especial de Assuntos Estratégicos da pasta

Ministério da Defesa

  • Quem sai: Walter Braga Netto, general do Exército e cotado para ser o vice na chapa de Bolsonaro à reeleição
  • Quem assume: Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira, general que comandava o Exército Brasileiro

Ministério do Desenvolvimento Regional

  • Quem sai: Rogério Marinho, pré-candidato ao Senado no Rio Grande do Norte
  • Quem assume: Daniel de Oliveira Duarte Ferreira, secretário-executivo da pasta

Ministério da Infraestrutura

  • Quem sai: Tarcísio de Freitas, pré-candidato ao governo de São Paulo
  • Quem assume: Marcelo Sampaio, secretário-executivo do ministério

Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos

  • Quem sai: Damares Alves, ainda sem cargo e estado definidos
  • Quem assume: Cristiane Rodrigues Britto, secretária Nacional de Políticas para as Mulheres

Secretaria de Governo

  • Quem sai: Flávia Arruda, para ser candidata a senadora pelo Distrito Federal. Retoma o mandato de deputada federal na Câmara
  • Quem assume: Célio Faria Júnior, chefe do gabinete pessoal do presidente da República

Ministério do Trabalho e Previdência

  • Quem sai: Onyx Lorenzoni, pré-candidato ao governo do Rio Grande do Sul. Retoma o mandato de deputado federal na Câmara
  • Quem assume: José Carlos Oliveira, que presidia o INSS (Instituto Nacional do Seguro Social)

Ministério do Turismo

  • Quem sai: Gilson Machado, pré-candidato ao Senado em Pernambuco
  • Quem assume: Carlos Alberto Gomes de Brito, diretor-presidente da Embratur (Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo)

Camargo e Frias também saem

O presidente da Fundação Palmares, Sérgio Camargo, também foi exonerado do cargo. A saída dele foi publicada em edição do DOU e foiassinada pelo ministro-chefe da Casa Civil, Ciro Nogueira. A publicação não informada quem será seu substituto.

Camargo anunciou a sua filiação ao PL, mesmo partido do presidente. O novo filiado deve tentar uma vaga na Câmara dos Deputados nas próximas eleições.

O secretário especial de Cultura, Mario Frias, também foi exonerado do cargo. Hélio Ferraz de Oliveira, até então secretário-adjunto de Frias, foi nomeado para chefiar a pasta. No dia 12 de março, Frias se filiou ao PL e anunciou que será pré-candidato a deputado federal por São Paulo.

Jorge Seif também deixou o cargo de Secretário de Aquicultura e Pesca, e Alexandre Ramagem Rodrigues, o cargo de diretor-geral da Abin (Agência Brasileira de Inteligência).

*Com Estadão Conteúdo

O governo Bolsonaro teve início em 1º de janeiro de 2019, com a posse do presidente Jair Bolsonaro (então no PSL) e de seu vice-presidente, o general Hamilton Mourão (PRTB). Ao longo de seu mandato, Bolsonaro saiu do PSL e ficou sem partido. Os ministérios contam com alta participação de militares. Bolsonaro coloca seu alinhamento político à direita e entre os conservadores nos costumes.