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Política

Vereadora expõe ameaça de morte em email de deputado bolsonarista, que nega

Igor Mello

Do UOL, no Rio

24/06/2022 13h28

A vereadora Benny Briolly (PSOL), primeira travesti eleita em Niterói, expôs em suas redes sociais ter recebido uma ameaça de morte enviada pelo email institucional do deputado estadual bolsonarista Rodrigo Amorim (PTB-RJ). O parlamentar nega ter enviado a mensagem —ele diz que se trata de uma montagem.

"É inadmissível novamente uma ameaça de morte. E, dessa vez, do email oficial do gabinete do deputado Rodrigo Amorim. Isso não pode acontecer de maneira nenhuma. Quem escreveu esse email é para estar preso. Isso é um atentado ao meu corpo e à democracia brasileira. É preciso que a justiça seja feita urgente. Porque eu, travesti eleita democraticamente pelo povo dentro dos marcos da democracia brasileira, não vou tolerar mais essa violência", afirmou Benny em um vídeo publicado em suas redes sociais.

No vídeo, Benny publicou um print do email com as ameaças. É possível ver o endereço do email institucional de Amorim na Alerj. No texto, além de diversos ataques racistas e transfóbicos, há várias ameaças de morte. "Se você não desistir do processo contra mim vou fechar essa sua boca podre para sempre", diz um dos trechos da mensagem. Em outro, o autor diz já estar "contando as balas".

O teor do texto é bastante semelhante a outras ameaças feitas a políticos de esquerda por integrantes de chans —fóruns anônimos de extrema-direita que buscam notoriedade com ataques a políticos, ativistas e artistas.

Print do email recebido pela vereadora Benny Briolly (PSOL-RJ) com o endereço do gabinete do deputado estadual Rodrigo Amorim (PTB-RJ) - Reprodução/ Twitter - Reprodução/ Twitter
Print do email recebido pela vereadora Benny Briolly (PSOL-RJ) com o endereço do gabinete do deputado estadual Rodrigo Amorim (PTB-RJ)
Imagem: Reprodução/ Twitter

Em áudio enviado ao UOL, Amorim negou que o email tenha sido enviado de sua conta institucional.

"Eu não enviei e não sou o autor da citada mensagem. E todos que me imputarem esse crime vão responder na Justiça. Ontem mesmo o episódio já foi registrado na DRCI (Delegacia de Repressão a Crimes de Informática) e também foi informado ao presidente da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro), à Mesa Diretora e a todos os deputados da Casa", afirmou o deputado.

"Hoje irei à DRCI entregar pessoalmente uma autorização para a quebra do meu sigilo de dados. Não tiro uma palavra que eu tenha proferido no plenário ao longo do meu mandato. Tudo que falo ou me manifesto é de forma pública e transparente. Jamais utilizaria um email com conteúdo tão chulo, tão vil. Está nítido para mim a tentativa torpe de denegrir minha reputação e a autopromoção eleitoral dos que me acusam sem prova. A Polícia Civil vai dar a resposta", concluiu Amorim.

A referência do deputado a falas no plenário diz respeito às declarações transfóbicas que fez contra Benny Briolly em 17 de junho. Na ocasião, ele chamou a vereadora de "aberração": "Talvez não enxergue sua própria bancada [do PSOL], que tem lá em Niterói um boizebu [sic] que é uma aberração da natureza, aquele ser que está ali", disse Amorim.

Em outro trecho do discurso, o parlamentar diz ainda: "Sou do tempo em que existiam homens, mulheres, bichas e sapatões, nada mais".

Por conta dessas declarações, Benny registrou um boletim de ocorrência contra Amorim na Decradi (Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância) na última segunda-feira (20).

Em nota publicada nas redes sociais sobre o email divulgado por Benny, Amorim voltou a utilizar ataques transfóbicos contra a vereadora. Segundo ele, o print é uma "inacreditável e risível montagem de um email com meu endereço corporativo como remetente. O destinatário? O vereador Bênio, de Niterói".

Deputado estadual mais votado do Rio de Janeiro em 2018, Amorim ficou conhecido nacionalmente durante a campanha daquele ano ao quebrar, ao lado do hoje deputado federal Daniel Silveira (PTB-RJ), uma placa instalada em homenagem à vereadora Marielle Franco, assassinada em março daquele ano. Os dois filmaram a quebra da placa e a exibiram em um comício ao lado de Wilson Witzel, que foi eleito governador do estado.

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